Kirchner dá prioridade ao Mercosul

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Publicado segunda-feira, 26 de maio de 2003 as 03:43, por: cdb

O novo presidente argentino, Néstor Kirchner, disse que vai combater pressões do mercado e grupos econômicos, mas ressalvou em seu discurso de posse: “sem milagres”.

O presidente tomou posso neste domingo e destacou que o Mercosul será a prioridade nas relações internacionais da Argentina. A palavra que mais utilizou, “el cambio” (a mudança).

– Sou um homem de convicções, e não vou deixá-las na porta da Casa Rosada – exclamou, no meio de intensos aplausos de centenas de pessoas no plenário da Câmara de Deputados, onde recebeu a faixa e o bastão presidencial.

Kirchner lembrou que pertence à uma geração que foi “dizimada” pela última Ditadura Militar (1976-83).

– Desejo um país normal e quero um país mais sério – disse Kirchner no início e no final de seu discurso.

Ele deixou claro que as coisas não vão mudar de um dia para ou outro. O presidente disse que seu estilo de governo será a de avançar de forma cuidadosa e progressiva.

Além disso, destacou que quer a construção de um “capitalismo nacional”. Nas galerias da Câmara, os simpatizantes do novo presidente gritavam: “Olé, olé, Lupo, Lupo…” (Lupo é um dos apelidos familiares de Kirchner).

Novos postos de trabalho, segundo o presidente, será peça fundamental para recuperação do país. Segundo ele, o Estado “tem que colocar igualdade onde o mercado abandonou e excluiu”.

Kirchner afirmou que o Mercosul e a integração latino-americana deve ser parte de um verdadeiro projeto político nacional, que terá que “ampliar-se abarcando novos membros latino-americanos”. Ele disse ainda que com os Estados Unidos, terá apenas uma relação “séria e madura” e que “acabaram os alinhamentos automáticos”.

O novo presidente referiu-se com rigor aos grandes grupos empresariais, afirmando que não aceitará “pressões” e que os grandes sonegadores vão ter que colocar “um terno de listas”, em referência à roupa de presidiários.