Justiça paraguaia proíbe ex-presidente de deixar o país

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 15:20, por: cdb

Um júri de Assunção decretou nesta terça-feira, uma nova proibição de saída do país para o ex-presidente paraguaio Luis González Macchi, no terceiro julgamento aberto contra ele por suposto enriquecimento ilícito.

A medida foi decretada pelo juiz Hugo Sosa no processo aberto contra o ex-governante e sua mulher, Susana Galli, a quem também foi ordenado que permanecesse no país e comparecesse periodicamente à Justiça.

– Nosso patrimônio, dos González, sempre foi de herança, de imóveis, grandes imóveis, estâncias, movimentos de gado, compra e venda de terras – afirmou González Macchi.

Em 14 de novembro, o ex-governante e sua mulher foram acusados de enriquecimento ilícito e de não declararem alguns bens que haviam acumulado.

A acusação se fundamenta em uma investigação aberta no ano passado pela Procuradoria Geral da República em relação a fundos do casal depositados em um banco das Ilhas Cayman.

A intervenção e o posterior fechamento do Banco Alemán revelaram em meados do ano passado que a ex-primeira dama tinha um depósito de 240 mil dólares num paraíso fiscal do Caribe.

Além disso, a Justiça suíça bloqueou uma conta aberta por González Macchi em 1 de junho de 1999, pouco mais de um mês após assumir o poder, com uma conta inicial de 81.212 dólares, que depois subiu para 362 mil dólares, dentro de uma investigação por suposta lavagem de dinheiro.

González Macchi chegou ao poder em seu caráter de titular do Senado depois do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em 23 de março de 1999, e a renúncia, cinco dias depois, do então presidente Raúl Cubas.

Depois de entregar o poder, também foi processado por suposto delito de lesão de confiança no desvio em 1999 de 16 milhões de dólares de dois bancos privados a uma conta nos Estados Unidos.

Outro júri abriu uma causa por suposta cessão irregular da conversão societária da companhia telefônica a um tabelião que era seu amigo, no fracassado processo de privatização dessa entidade, em meados de 2001, operação que custou ao Estado mais de 500 mil dólares.

Na ocasião, os juízes a cargo desses casis o proibiram de sair do país, como fez agora o juiz Sosa.