Justiça muda atestado de óbito de assassinado pela repressão

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 18 de abril de 2012 as 09:46, por: cdb

Aplausos à Justiça de São Paulo. Em uma decisão inédita, o juiz Guilherme Madeira Dezem determinou alteração do atestado de óbito do ex-dirigente do PC do B, João Batista Drummond, assassinado pela repressão em 1976. A partir de agora, fica registrado no atestado que Drummond morreu após tortura no DOI-CODI.

A decisão é um grande passo da Justiça e atende à ação movida pela viúva, Maria Ester Cristelli Drumond e as duas filhas do militante. Na versão oicial da repressão da ditadura militaro dirigente do PC do B havia sido atropelado no cruzamento da avenida 9 de Julho com a rua Paim, em São Paulo, quando fugia dos policiais.

A verdade agora vem à tona. Drummond foi preso na chamada “Chacina da Lapa”, operação sob o comando do coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, e levado ao DOI-CODI paulista. Junto com ele estiveram presos também Haroldo LIma e Aldo Arantes, líderes do PC do B testemunhas de seu assassinato.

No Rio, prosseguem apurações sobre Stuart Angel Jones

Outra notícia importante vem do Rio. As investigações do Ministério Público Federal (MPF-RJ) sobre a morte do estudante Stuart Edgard Angel Jones, militante do MR-8, desaparecido em 1971, poderão levar a uma intimação dos agentes envolvidos em sua morte para depor. Stuart era filho da estilista Zuzu Angel, também morta num acidente de carro suspeito de ter sido armado pela ditadura.

A medida de justiça foi anunciada pelo procurador da República Luís Fernando Chagas Lessa, que investiga o caso. Stuart, segundo testemunhas também presos políticos, foi arrastado num pátio, até morrer, com a boca no cano de escapamento de um jepp, Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, na Base Aérea do Galeão.

Os responsáveis por seu assassinato ainda não foram identificados. O ex-preso político Alex Polari, já foi ouvido pelo MPF-RJ e confirmou que Stuart foi torturado até a morte. Os responsáveis por seu assassinato ainda não foram identificados.

“Ele já morreu, mas ela está viva”

Mas, uma esperança veio ontem, durante o depoimento ao MPF-RJ da irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel. Ela antecipou que muitas informações poderão vir de uma mulher que militou, foi presa junto com Stuart e após o seu desaparecimento passou a colaborar com a repressão. “Era um casal. Ele já morreu, mas ela ainda está viva”, contou Hilde.

Tanto a decisão judicial de São Paulo, quanto o andamento do processo sobre o desaparecimento de Stuart, no Rio, poderão constituir importantes subsídios para as buscas da Comissão da Verdade a ser instaladas proximamente. Agora, é esperar para que a verdade venha à tona.E virá. Insisto. Cedo ou tarde.