Justiça indiana impede aeromoças acima do peso de voarem

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Publicado sexta-feira, 1 de junho de 2007 as 11:47, por: cdb

Um tribunal indiano rejeitou o apelo feito por um grupo de aeromoças que foram impedidas de voar por estarem acima do peso. O tribunal decidiu que a companhia aérea estatal Indian Airlines tem o direito de impedir que as aeromoças embarquem nesses casos em nome da segurança do vôo e da crescente competição no setor.

As aeromoças argumentaram que a medida era humilhante. A companhia aérea deu início a um sistema de avaliar as aeromoças baseada em sua altura e peso no ano passado.

O tribunal em Nova Déli decidiu em favor da empresa dizendo que com as aeronaves voando a altitudes mais elevadas, a segurança dos passageiros depende da habilidade da tripulação para fazer o seu trabalho.

– Nenhuma companhia aérea pode se dar ao luxo de ser negligente em nenhum departamento, mesmo que seja a personalidade dos membros da tripulação ou seu condicionamento físico -, disse a juiza Rekha Sharma.

– Se, por perseverança, o caramujo pode chegar à Arca (de Noé), porque estas distintas senhoras não podem virar a balança -, completou.

A juiza também rejeitou a tese das aeromoças de que a política da companhia aérea em relação a seu peso era “um insulto à sua feminilidade”.

O correspondente da BBC em Nova Déli, Sanjoy Majumder, disse que o caso é parte de um debate que está sendo realizado em toda a sociedade indiana, da indústria do entretenimento às companhias aéreas, que questiona se os indianos descartando ideais de beleza e aparência tradicionais em favor de um visual de magreza mais ocidentalizado.

O setor aéreo na Índia cresceu rapidamente na última década e novas companhias privadas pasaaram a contratar aeromoças jovens e esguias, que costumam usar saias curtas e sapatos de salto alto.

Já a tripulação da Indian Airlines usa um sari, um tradicional traje indiano, e pode trabalhar em aviões até os 58 anos de idade.

O grupo de aeromoças que levou o caso para a Justiça alega que esta é uma tentativa de substituí-las por mulheres mais jovens.

Uma delas foi proibida de voar depois de 25 anos trabalhando em aviões, apesar de ter apenas dois quilos a mais do que o limite determinado pela Indian Airlines.