Justiça francesa abre investigação sobre naufrágio do “Le Joola”

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Publicado segunda-feira, 14 de abril de 2003 as 09:52, por: cdb

A Justiça francesa abriu uma investigação pelo naufrágio do navio senegalês “Le Joola” em setembro passado em frente à costa da Gâmbia, no qual morreram cerca de 2.000 pessoas, entre elas uns 30 franceses.

A investigação da Procuradoria de Evry (arredores de Paris), onde vivem alguns familiares das vítimas francesas, se centra nas acusações de homicídio involuntário, ferimentos involuntários e falta de assistência a pessoas em perigo, informa esta segunda-feira, o jornal 20 Minutes.

No Senegal uma comissão de investigação técnica já estabeleceu algumas causas do naufrágio, mas com numerosas lacunas e sem apontar os responsáveis da tragédia.

Bem antes do naufrágio haviam sido detectadas várias irregularidades na embarcação, como a sobrecarga de passageiros (tinha uma capacidade legal para 550 passageiros) e a falta de segurança a bordo.

De fato, em 1998 o navio teve seu certificado de navegação cassado e sua gestão passou a depender do Exército.

No último dia 3, o presidente senegalês, Abdulaye Wade, prometeu o pagamento de uma indenização às famílias das vítimas do “Le Joola” que tivessem apresentado uma demanda, mas não especificou a quantia.

No entanto, das 1.863 pessoas mortas no naufrágio só uma centena de processos foram apresentados.

Segundo fontes próximas ao caso, a investigação francesa ameaça “provar a incompetência do Estado para explorar e manter o navio”.

Na noite de 26 de setembro passado, “Le Joola”, administrado pelo Exército senegalês e que cobria a rota entre Dacar e Casamance, naufragou em frente à Gâmbia e, depois de soar o alarme no começo da manhã, os serviços de assistência só chegaram dez horas depois.

Entre as 1.863 vítimas fatais, mais que no naufrágio do “Titanic”, havia alguns europeus e só 64 pessoas conseguiram sobreviver.

No entanto, o número de mortos poderia ser maior, já que nem as crianças nem os clandestinos estavam registrados como parte dos passageiros.