Juros devem se manter em 26,5% após reunião do Copom

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 09:49, por: cdb

A desaceleração dos índices de inflação e da atividade econômica justificam para a maioria dos executivos do mercado financeiro a manutenção dos juros básicos nos atuais 26,5% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Pesquisa da Reuters mostrou que 19 de 25 economistas consultados afirmam esperar que a Selic não será alterada na reunião marcada para acontecer entre terça e quarta.

“Os índices de preços estão muito altos, mas houve sinalização de queda na última semana”, diz Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank, para quem os juros serão mantidos graças à desaceleração da inflação.

A avaliação de muitos economistas é que a inflação preocuparia mais se houvesse perspectiva de forte recuperação da atividade industrial.

A alta da produção industrial em janeiro (de 0,27%) ainda não compensou a queda de dezembro (1,8%) e é devida sobretudo às exportações. As vendas de varejo caíram 4,9% nos últimos dois meses, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Há perda de poder aquisitivo e queda da demanda interna”, conclui Walter Mendes, diretor da Schroder’s.

“Além disso, o dólar está mais baixo se comparado ao mês passado. A taxa de câmbio médio da última sexta-feira ficou em R$ 3,43 contra média de R$ 3,59 em fevereiro”, diz Mendes.

Ainda que a inflação continue a preocupar, “talvez já haja indícios de que não há oxigênio que comprometa o processo inflacionário”, concorda o economista-chefe do banco BBV, Otávio de Barros. “Seria recomendável esperar um mês para observar definição mais clara desse quadro e manter a Selic [taxa básica] agora”, afirma Barros.

As taxas de swap pré-DI (juro interbancário) para um ano estavam em 27,24% na última sexta, muito próximas da Selic (em 26,5%), sinalizando expectativa de que não haverá aumento da taxa básica nesta semana.

“O mercado começa a admitir que a inflação convirja para a meta em um prazo mais longo, só em 2004”, diz Mendes.

Viés

O BC não deverá usar o viés (instrumento que permite que o presidente do órgão mexa nos juros sem uma nova reunião do comitê). “Esse é um instrumento a ser usado em um momento mais especial. Não há algo datado de que se queira esperar uma avaliação. No ano passado, quando houve necessidade, fizeram uma reunião extra e aumentaram os juros”, lembra Kawall.

Para alguns, isso poderia acontecer em razão da guerra, se aumentassem muito os preços do petróleo, mas, afirmam não acreditar que isso agora.

Compulsório

Executivos do mercado descartam a possibilidade de medidas como a tomada na última reunião de aumento do compulsório. “Com a queda nas vendas varejistas e da produção industrial não há como. Foi uma paulada o aumento [do compulsório] de 45% para 65%. Tem de esperar para ver o resultado”, diz Mendes.