Juízes usavam placas frias para escapar de multas

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Publicado quinta-feira, 13 de novembro de 2003 as 22:00, por: cdb

Provas levantadas pela Operação Anaconda revelaram outras irregularidades envolvendo juízes e delegados da Polícia Federal. De acordo com novas gravações exibidas nesta quinta-feira pelo “Jornal Nacional”, juízes e policiais usavam placas sem registro oficial (reservadas) em carros particulares para escapar de multas de trânsito.

Imagens cedidas pela Polícia Federal mostram os carros do agente federal César Hermann, preso pela Operação Anaconda, e da esposa de José Augusto Belini, outro preso na operação, usando essas placas frias. Uma gravação telefônica mostra Belini e sua mulher conversando sobre o uso da placa.

As duas placas frias foram requisitadas pelo juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, considerado o líder da quadrilha que vendia sentenças judiciais. Em um ofício ao Detran, Mattos pediu 10 placas reservadas que serviriam para “viabilizar investigações de caráter sigiloso”. A direção do Detran reconheceu que liberou as placas sem autorização da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a única a poder liberar o uso desse tipo de placas.

O uso de palcas frias (reservadas) em carros particulares é crime passível de multa e condenação. Placas reservadas só podem ser colocadas em veículos de órgãos oficiais.

Também foram encontradas placas reservadas nos carros de uma juíza federal e do próprio juiz Rocha Mattos. O Ministério Público considerou que as placas eram usadas para driblar multas de trânsito. O Tribunal Regional Federal abriu inquérito judicial para apurar o uso de placas frias pelos juízes. A SSP-SP pediu para a Polícia e para a Justiça Federal a devolução das placas, mas não foi atendida.