Juíza diz que prisão de envolvidos com cambismo é para evitar fuga do país

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Publicado quarta-feira, 17 de agosto de 2016 as 14:23, por: cdb

Os estrangeiros começaram a ser investigados depois que a Polícia Civil prendeu o diretor da empresa britânica Kevin Mallon

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

 

A prisão do irlandês Patrick Joseph Hickey e a decretação de prisão preventiva dos também irlandeses Ken Murray e Eamonn Anthony Stephen Collins e do britânico Michael Glynn é para evitar que os investigados em esquema internacional de cambismo deixem o Brasil, conforme decisão da juíza Mariana Tavares Shi, do Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos.

O Pro10 Team informou que seus dirigentes atuaram dentro das regras para revendedores autorizados
O Pro10 Team informou que seus dirigentes atuaram dentro das regras para revendedores autorizados

Os quatro estrangeiros são acusados de participar de esquema internacional de venda ilegal de ingressos para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Murray, Collins e Glynn são considerados foragidos.

Preso na manhã desta quarta-feira, Patrick Joseph Hickey é membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e presidente do Comitê Olímpico da Irlanda. Responsável pelo caso, o delegado Aloysio Falcão informou que o esquema de cambismo era disfarçado de programa de hospitalidade, no qual os ingressos eram vendidos por valores até 30 vezes maior.

Os estrangeiros começaram a ser investigados depois que a Polícia Civil prendeu o diretor da empresa britânica Kevin Mallon, no dia 5 deste mês, com mil ingressos para os Jogos. Por meio de nota, o Comitê Olímpico da Irlanda informou que está buscando informações sobre o caso antes de fazer qualquer comentário sobre a prisão de Hickey.

O Pro10 Team informou que seus dirigentes atuaram dentro das regras para revendedores autorizados. De acordo com a empresa, os ingressos encontrados com Kevin Mallon tinham sido vendidos legalmente pela Pro10, obedecendo as regras de venda dos Jogos Olímpicos, ou seja, pelo preço autorizado que inclui o valor do ingresso mais a taxa de revendedor.

Os ingressos, segundo a Pro10 Team, estavam com Mallon apenas para serem coletados pelas pessoas que já os tinham adquirido pelos canais legítimos. Conforme a empresa, essa é uma prática comum.

A Pro10 Team informou ainda que sofreu significativas perdas comerciais devido a apreensão dos ingressos. Além disso, causou danos aos clientes europeus e irlandeses que compraram os tíquetes.

A Justiça já tinha decretado esta semana a prisão de quatro diretores da THG, especializada no comércio de ingressos e receptividade executiva em grandes eventos esportivos: David Patrick Gilmore, Marcus Paul Bruce Evans, Maarten Van Os e Martin Studd. Como eles estão fora do país, o mandado de prisão foi comunicado à Polícia Federal e à polícia internacional ( Interpol).

Esquema de cambismo

Segundo o delegado Ricardo Barbosa, da Delegacia de Defraudações, o preso ainda não prestou depoimento, tendo sido encaminhado para o Hospital Samaritano, na Barra, devido à idade avançada (71 anos) e histórico cardíaco.

– O depoimento vai ser aqui (na Cidade da Polícia). A polícia levou preventivamente um médico na operação, por ele ter problemas cardíacos anteriores. O preso falou que enfartou há seis meses, então, pelo susto que tomou hoje e pela idade avançada, o médico resolveu fazer alguns exames.

– Existe a indicação de empresas para realizar a venda dos ingressos em cada país, o Comitê Olímpico Irlandês indicou essa THG, que já tinha realizado a venda de Londres e de Socchi. Mas não foi aceita pelo COI. Então, foi constituída outra empresa, a Pro10, em abril de 2015, que foi indicada pelo comitê da Irlanda.

Em 2014, o CEO da THG, James Sinton, foi preso pela Polícia Civil por envolvimento na “máfia dos ingressos” da Copa do Mundo. Também nessa operação, foram presos em flagrante, no dia 5 de agosto Kevin Mallon, diretor da empresa THG, e Bárbara Carnieri, quando foram apreendidos 823 ingressos.

– Todos os ingressos eram destinados a THG do grupo Marcus Evans para esse suposto programa de hospitalidade. São ingressos para eventos muito procurados, como cerimônia de abertura, de encerramento, final do futebol, que tem um valor agregado muito grande. Os ingressos vieram da Pro10, criada para pegar os ingressos para a THG e alguns, cerca de 20, são nominais para o Comitê Olímpico da Irlanda.

Segundo Falcão, a prática ocorre “há anos” e testemunhas brasileiras apresentaram o contrato com os valores cobrados pelo programa de hospitalidade. “O Comitê da Irlanda teve vantagem financeira, os ingressos eram vendidos a preços astronômicos, tem ingresso de R$1.500 revendido a 8 mil dólares. Só o valor de face dos ingressos apreendidos dava R$600 mil, mas eram revendidos a valores até 30 vezes maiores, então estimamos em mais de R$10 milhões o valor total arrecadado no esquema”.