Jovens são assassinados dentro de ônibus em BH

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Publicado segunda-feira, 22 de dezembro de 2003 as 05:39, por: cdb

Um suposto acerto de contas gerou cenas de violência que assustaram, no último domingo pela manhã, os passageiros do ônibus que faz o trajeto entre o Conjunto Caieiras, em Vespasiano, na Região Metropolitana, e Belo Horizonte.

Dois homens armados com pistolas semi-automáticas entraram no coletivo na MG-010, próximo ao Bairro Morro Alto, e com pelo menos 20 disparos mataram Fabrício Luiz Martins, 18 anos, deixando feridos José Luciano da Silva, 19, e Juliano Basílio dos Santos, 18. Não houve assalto e nenhum outro passageiro foi ferido.

Até o início da noite, o estado de saúde de Juliano, que passou por uma cirurgia depois de ser atingido com dois tiros no braço e na perna esquerda, e José Luciano, que teria recebido quatro disparos na cabeça, ainda era grave, no HPS. Fabrício morreu com oito tiros. Até o início da noite, a Polícia Militar não havia localizado os autores dos disparos.

Os relatos sobre a execução foram divergentes. De acordo com o soldado Damata, da 6ª Companhia Independente de Vespasiano e responsável pela ocorrência, o ônibus foi interceptado por um carro e os dois passageiros entraram no coletivo. Depois de pagarem a passagem, seguiram para o fundo do ônibus, onde Fabrício, Juliano e José Luciano estavam sentados, e atiraram contra os rapazes. Em seguida, puxaram o sinal e desceram.

No entanto, segundo o motorista do ônibus, Noel Alves Maciel, 59 anos, os dois homens entraram no ônibus na MG-010, no ponto anterior ao redutor de velocidade, perto do Jóquei Clube, e agiram sem despertar suspeitas, até que começaram a atirar. Na descida, ainda teriam disparado, segundo alguns passageiros, e fugiram a pé.

Os três rapazes, segundo a PM, seriam moradores das proximidades da Favela da Ventosa, na Zona Oeste de BH. Mas parentes de Juliano disse que ele estaria morando em Vespasiano, com um irmão, e não teria envolvimento com drogas.

Já Fabrício, que iria, segundo essa versão, passar o Natal com Juliano na cidade, teve uma passagem na polícia por confusão na escola, segundo sua família. Os dois entraram no ônibus no mesmo ponto, no Centro de BH, e José Luciano, um ponto depois.