Jovem que matou o primo confessa o crime

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Publicado sexta-feira, 12 de setembro de 2003 as 00:46, por: cdb

Foram 20 dias planejando o crime. Fabrício Henrique de Oliveira, de 20 anos, e Fábio Lopes da Silva, de 23, contaram à polícia em detalhes como mataram o estudante de direito Victor Thiago, de 22, primo de Fabrício. Este chorou ao confessar o crime.
 
Os dois acusados tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça.
Ciúmes e ganância foram, segundo o delegado Paulo Lew, da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), os motivos que levaram Fabrício a planejar o seqüestro e a morte de Thiago.

A atual namorada do acusado teve um caso com a vítima há dez meses. Desempregado e sem dinheiro, Fabrício pensou em matar o primo e extorquir o tio, o comerciante Roberto Redolfi Thiago, dono de uma rede de óticas.

Ao saber da descoberta da polícia, o comerciante ficou chocado. Apesar de desconfiar do sobrinho, Roberto nunca imaginou que Fabrício pudesse fazer isso – o rapaz havia trabalhado durante quatro meses em uma de suas lojas.

Thiago, que estava no 2.º ano da faculdade, foi seqüestrado na última segunda-feira, pouco depois de sair da casa da tia, mãe de Fabrício, no Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O primo e Fábio abordaram a vítima, que estava em seu Astra.
Alegaram querer uma carona até um campo de futebol. Fabrício pediu que o primo lhe deixasse dirigir o carro. Fábio foi no banco traseiro e a vítima, no do passageiro. Tudo já estava combinado entre os acusados.

Fábio, que recebera uma pistola do comparsa, deveria atirar assim que Fabrício erguesse o volume do som do carro. E assim foi.
O primeiro disparo acertou as costas da vítima. Pego de surpresa, Thiago pensou que o tiro tivesse vindo de fora do veículo e pediu ao primo que o levasse a um hospital. Só então ele viu a arma na mão de Fábio.
 
‘Vocês estão loucos?’, perguntou. Thiago conhecia os dois acusados desde criança. ‘Dá outro tiro nele, Fábio’, mandou Fabrício. Seu comparsa cumpriu a ordem, apertou o gatilho, mas a pistola engasgou.
Fabrício apanhou a arma, destravou-a e entregou-a a Fábio para que ele ‘completasse o serviço’. O segundo tiro acertou a vítima no mesmo lugar, matando-a.
 
Os dois foram a um motel, onde tomaram banho e colocaram o corpo no porta-malas do Astra. Depois, pararam o carro num estacionamento da Rua Cipriano Barata, no Ipiranga.

Telefonaram para o pai da vítima, disseram que Thiago havia sido seqüestrado e exigiram R$ 400 mil de resgate.

– Eles esperavam que o pagamento fosse feito rapidamente – disse o diretor da DAS, delegado Wagner Giudice.

 Como isso não ocorreu, os acusados foram a um posto de combustível e compraram gasolina. Às 3 horas da última  terça-feira, retiraram o carro do estacionamento e, a poucos metros dali, atearam fogo para sumir com provas do crime.

Foi Fabrício quem riscou o fósforo – que queimou parte do braço direito.

Na última quinta-feira, os acusados foram ao enterro de Thiago. Segundo Giudice, além das confissões, a DAS achou três testemunhas que reconheceram Fabrício no posto de gasolina e no estacionamento.
 
Detido, ele negou o crime, mas ao ser informado das testemunhas, começou a chorar. Resolveu confessar e delatou o comparsa, que foi preso quando chegou à DAS para saber o que estava acontecendo com o amigo.