Jovem de 22 é preso no Rio Grande do Norte por assaltar e torturar padre

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Publicado quinta-feira, 2 de outubro de 2003 as 05:12, por: cdb

O Serviço de Inteligência da Polícia Militar prendeu, na manhã da última quarta-feira, na Zona Norte de Natal, Herandi Cassiano de Oliveira, o ‘Bispo’, 22 anos, autor confesso do assalto e tortura contra o monsenhor Francisco das Chagas Pereira Pinto, 76 anos, da Paróquia de Angicos, na Região Central do Estado.
 
O crime aconteceu em maio deste ano e, agora, foi esclarecido com a prisão do último bandido que estava foragido.

O acusado estava refugiado numa casa alugada na rua Planície Amazônica, no Loteamento Nova República. O serviço reservado da polícia, que trabalha apenas em casos complexos, recebeu a informação sobre o paradeiro do bandido e montou campana no local. Às 9h30, os três policiais à paisana viram o suspeito. Herandi Cassiano tentou correr, mas foi agarrado por um PM.

Ele foi levado ao Comando Geral da Corporação, no Tirol, onde teve contato com a imprensa. Ele confessou que cortou parte da orelha esquerda do padre, com uma faca, para obrigá-lo a abrir o cofre.
 
O bandido disse que planejava roubar o dinheiro de uma vaquejada que aconteceu na região, mas o plano falhou. Ele, então, resolveu entrar na primeira casa que viu pela frente.
 
– Eu não ia sair no prejuízo e escolhi a casa por acaso. Não sabia que era do padre – falou.

Ele e o comparsa, Wellington Ribeiro da Cruz Sobrinho, 21 anos, preso horas depois do crime, surpreenderam o religioso entrando na casa pelo telhado. Monsenhor Francisco das Chagas foi feito refém, teve a boca amordaçada, e acabou amarrado em uma cadeira com os fios do telefone. Em seguida, para dar a senha do cofre, ele teve a orelha decepada com uma faca de cozinha.
 
– O padre pediu para eu não fazer aquilo, mas não sou apegado à religião e meti o aço na pele dele – confessou. 

Herandi Cassiano é um velho conhecido da polícia com passagem nas delegacias de Angicos e São Gonçalo do Amarante. Ao todo ele passou um ano e meio preso por assalto e estava solto aguardando a conclusão de um processo no judiciário.

O acusado foi detido no último fim de seman, na Zona Norte, suspeito de integrar uma quadrilha, mas não ficou preso porque usava nome falso de Denemagno de Oliveira, 28 anos. Se ele estivesse com o documento verdadeiro a polícia, ao verificar a ficha de antecedentes, saberia que ele tem mandado de prisão preventiva decretado pelo judiciário.
 
– Eu fui preso e apresentei a identidade de um irmão meu, que morreu quando tinha seis meses – explicou o acusado.

O crime contra o padre tomou grande repercussão no estado porque o religioso é muito querido na região. O padre apanhou muito e teve de ser socorrido para o Hospital São Lucas, em Natal, para se tratar da sessão de tortura.