Jornalistas serão ouvidos sobre grampo na Bahia

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Publicado quinta-feira, 3 de abril de 2003 as 06:23, por: cdb

Os 15 integrantes do Conselho de Ética do Senado ouvirão nesta quinta-feira a gravação de uma conversa entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o repórter da revista IstoÉ, Luiz Cláudio Cunha. Ela serviu de base para a sindicância encarregada de apurar o suposto envolvimento do parlamentar nos grampos ilegais da Bahia. A sessão terá início às 10 horas, com o depoimento de Cunha e de seu colega, Welleir Diniz.

Serão apresentados pelo menos quatro trechos de uma gravação, feita pelos jornalistas, na qual o senador ACM supostamente fala da sua participação no episódio dos grampos. “Não é uma gravação que compromete o Geddel (o deputado Geddel Vieira Lima, do PMDB, uma das vítimas das escutas)?”, pergunta o repórter. “É isso, mas a gravação é uma ilicitude”, responde ACM.

A fita é acompanhada de um laudo do perito Ricardo Molina. Diversos trechos deixam claro que o senador sabia que as escutas clandestinas existiam. “Você pode fazer isso sem citar que é gravação”, diz ACM a Luiz Cláudio Cunha, depois que o repórter pediu para transcrever um trecho.

A parte mais comprometedora da gravação mostraria a irritação do senador com o fato de os policiais civis da Bahia terem destruído as fitas em que estavam os grampos ilegais envolvendo o deputado Geddel. “Fiquei irritadíssimo porque destruíram. Porque aquilo não precisava destruir”, reclamou ACM a Cunha. “Para mim era bom, por causa do Fernando Henrique e outros.”

O presidente do conselho, senador Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS), assegurou que a sessão desta quinta-feira será aberta. A expectativa dos senadores é que o depoimento dos jornalistas esclareça as circunstâncias em que foram apuradas as informações da revista, que atribuem a ACM a autoria dos grampos. O senador sustenta que a informação é falsa e que vai se defender “no momento oportuno”.

O relator da sindicância, senador Geraldo Mesquita, decide nesta quinta se colherá novos depoimentos. Em princípio, ele afirma que não concorda com o comparecimento ao Senado de depoentes já ouvidos pela Polícia Federal. “Só se forem muito convincentes”, justificou-se.

Isso quer dizer que ele não endossará a iniciativa da senadora Heloisa Helena (PT-AL) de convidar para depor a ex-namorada de ACM Adriana Barreto. Mesquita informou que entregará seu relatório até o dia 17. Antes, portanto, da conclusão do inquérito policial sobre os grampos, que se estenderá até 9 de maio.

Pelo calendário no Senado, fica praticamente impossível ouvir novos depoentes, já que as atividades da Casa deverão ser suspensas na semana anterior à Páscoa.