Jordânia nega retenção de alimentos e remédios ao Iraque

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 14:24, por: cdb

O Governo jordaniano negou nesta terça-feira, as acusações do Iraque de que estaria retendo em seu território alimentos, remédios e outros produtos destinados ao povo iraquiano em resposta a pressões dos Estados Unidos.

“O Governo jordaniano não está restringindo o movimento de produtos através da fronteira com o Iraque, estamos surpresos pelas acusações iraquianas”, disse o ministro de Comércio, Salah al Bashir, em entrevista coletiva com o titular de Informação, Mohamed Adwan.

“Produtos passaram para o Iraque depois do início da guerra. Não temos nada bloqueado na fronteira”, disse al Bashir.

No entanto, o ministro de Comércio admitiu que alguns fornecedores jordanianos, que não receberam das Nações Unidas o pagamento por seus produtos, optaram por não enviá-los ao Iraque.

“O Governo não tem relação com os produtos contratados sob o programa ‘petróleo por alimentos’. Há comerciantes que decidiram enviar seus produtos ao Iraque, enquanto outros que não receberam o dinheiro decidiram não fazê-lo. O Governo não tem nada a ver com a decisão”, disse o ministro.

Al Bashir e Adwan responderam assim às acusações feitas na manhã desta terça-feira em Bagdá pelo vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, que acusou a Jordânia em uma entrevista coletiva de ter “sucumbido à pressão dos EUA” e de ter bloqueado produtos destinados ao Iraque na cidade fronteiriça de Ruweished, além de expulsar três diplomatas da embaixada iraquiana em Amã.

“Lamentamos muito ter que ouvir essas acusações irresponsáveis. Esperamos que sejam fruto da tensão criada pela atual situação”, disse Adwan.

O ministro da Informação afirmou que a expulsão dos três diplomatas não tem nada a ver com pressões dos EUA.

“Não aconteceu por motivos políticos. Os diplomatas realizaram atividades alheias a suas tarefas”, afirmou, em um eufemismo para falar de espionagem.

Al Bashir confirmou a acusação feita por Ramadan que o Governo jordaniano deixou de receber petróleo do Iraque, mas disse que a decisão foi adotada a dois dias do início da guerra porque não se pode “garantir a segurança dos motoristas que o transportam”.

“Estou disposto a voltar a enviar os motoristas para trazer petróleo se as autoridades iraquianas garantirem sua segurança”, disse.

A Jordânia abriu mão de reservas de petróleo armazenadas recentemente no porto de Aqaba para compensar a falta do fornecimento de petróleo iraquiano, que chegava a 100.000 barris diários.

Adwan disse que “em breve chegará” à Jordânia o primeiro carregamento de petróleo da Arábia Saudita, também para substituir o petróleo iraquiano.