Jacko erra no marketing e perde prestígio nos Estados Unidos

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Publicado sexta-feira, 31 de agosto de 2001 as 19:40, por: cdb

O novo disco de Michael Jackson só chega às lojas em final de outubro, mas o festival de esquisitices que acompanha o pop star já está deliciando a imprensa americana. As escolhas duvidosas para promoção de seu retorno chamam mais atenção do que o single “You Rock My World”, que foi recebido com frieza pelas emissoras de rádio. Enquanto isso, a idéia de cobrar US$ 2,5 mil por ingressos para o tributo do Madison Square Garden e US$ 5 mil por uma cadeira em um jantar beneficente deu errado: os dois eventos ainda têm muitos ingressos disponíveis.

Depois de gastar supostos US$ 30 milhões na gravação de Invincible, é natural que a Sony Music esteja querendo promover a volta de Jacko a todo custo. É difícil entender, no entanto, as escolhas: para um pop star que teve de deixar os Estados Unidos depois de uma série de trapalhadas e episódios obscuros, organizar um tributo a si próprio não é exatamente a melhor opção. Participar da abertura do pregão da Nasdaq (que também anda em baixa) também não deve ajudar muito.

A imprensa, é claro, diverte-se: Jacko foi recebido no prédio da Nasdaq e ficou surpreso ao descobrir que estava em Times Square – simplesmente a região mais conhecida e importante de Nova York. Minutos antes, o cantor havia se perdido no saguão do prédio, cuja entrada lateral pertence à Condé Nast, correndo desesperadamente pelo local, escondido atrás de um guarda-chuva, “feito um coelhinho assustado”, como descreveu o jornal New York Post.

O problema do retorno de Jacko é a estratégia de marketing e a falta de conhecimento do que pode vir a ser o novo público-alvo do cantor. É curiosa, por exemplo, a escolha de celebridades que ele acha que podem ajudar em sua volta ao trono de rei do pop. De fato, Britney Spears, que vai fazer um dueto com ele no Madison Square Garden, deve atrair novos grupos de adolescentes, mas Elizabeth Taylor e Liza Minellli, que também vão fazer parte do evento, não estão exatamente em alta. E para tentar fazer um videoclipe que tem a pretensão de superar Thriller, pagar fortunas para ter a participação de Marlon Brando também não parece ser um bom negócio. Não é difícil entender por que o ´N Sync desistiu de participar do All Star Tribute.

Mesmo se Jacko contratasse Madonna como consultora de marketing, seria difícil recuperar seu prestígio pelo simples fato de que a falta de identidade reflete-se também em suas músicas. O single de You Rock My World (supostamente a faixa mais comercial de Invincible) é, além de fraco, repetitivo. A música que não chega nem a explorar o potencial vocal de Jacko, começa com um diálogo e segue com um beat que poderia ter sido programado no início dos anos 90.

Em uma época em que até as atrações mais pré-fabricadas do mercado conseguem surpreender ao misturar elementos de diferentes vertentes e contar com a ajuda de profissionais realmente criativos, é praticamente impossível ver o pop star recuperar seu status. Mesmo com a imprensa desistindo de comentar a aparência do cantor, que continua a surpreender, Jackson deve continuar na mídia, mas de uma maneira bem diferente de Madonna.