Itamar reage a agressões a Lula e chama O´Neill de psicopata

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 29 de outubro de 2002 as 18:41, por: cdb

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), saiu nesta terça-feira em defesa do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e rebateu a declaração do secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill, que na segunda-feira disse que os mercados examinarão com cuidado as declarações do petista “para se assegurarem de que ele não é uma pessoa louca”. Itamar reagiu, classificando a frase de “indelicada” e chamando o secretário de “psicopata”.

Embora O’Neill em seu depoimento tenha demonstrado confiança de que a economia brasileira terá um desempenho satisfatório sob a administração de Lula, a frase foi considerada pouco amistosa pelo governador mineiro. “Eu acho que psicopata não é o Lula, psicopata é ele, secretário do Tesouro americano”, disse Itamar, pela manhã, antes de embarcar de Juiz de Fora para a capital mineira.

Aliado do presidente eleito durante a campanha presidencial e cotado para assumir a embaixada do Brasil em Roma, na Itália, o governador lembrou o episódio em que a ministra da Justiça Herta Taeubler-Gmelina pediu demissão, após pressão do governo dos Estados Unidos, por supostamente ter comparado a tática militar do presidente George W. Bush aos métodos utilizados por Adolf Hitler durante o regime nazista.

O incidente ocorreu durante a campanha eleitoral na Alemanha, que marcou a reeleição de Gerhard Schroeder. “Ele se refere de uma maneira indelicada ao presidente eleito do Brasil. Por muito menos, quando uma ministra alemã se referiu a certa posição do presidente americano, eles protestaram, ficaram zangados e ontem ele não teria o direito de dizer o que pensa”, protestou Itamar.

O governador mineiro já havia criticado o secretário do Tesouro americano, quando ele, no início de agosto, uma semana antes de visitar o Brasil, sugeriu que a ajuda financeira dada ao País poderia parar em contas da Suíça. A declaração de O’Neill provocou um incidente diplomático entre os dois países e, na ocasião, Itamar afirmou que o governo brasileiro não deveria recebê-lo.