Itamar e Newton continuam a brigar

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Publicado sábado, 5 de janeiro de 2002 as 00:46, por: cdb

A briga entre o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), e o vice, Newton Cardoso (PMDB), iniciada em dezembro, continuou nesta sexta-feira com provocações das duas partes. Pela manhã, Newton voltou a afirmar que é o candidato do PMDB ao governo estadual e que, caso Itamar veja frustrados os planos de lançar-se ao Palácio do Planalto e opte pela reeleição, não terá sucesso, já que o vice teria o controle do partido no Estado e não estaria disposto a abrir mão de sua candidatura ao Palácio da Liberdade.

Foi uma declaração semelhante que deixou Itamar irritado há alguns dias e o fez anunciar, para janeiro, uma ampla reforma nos cargos de chefia das administrações direta e indireta, claramente procurando atingir pessoas nomeadas pelo vice. A reforma começou nesta semana, com a exoneração de 13 pessoas, a maior parte delas apadrinhada por Newton.

Embora negando que o alvo seja Newton, Itamar ainda determinou a todos os 11 mil ocupantes de postos de confiança do governo estadual que coloquem os cargos à disposição, para facilitar as mudanças na equipe que pretende fazer.

Na entrevista dada por Newton, na manhã desta sexta-feira, em uma de suas fazendas em Minas, o vice também alfinetou o governador. Afirmou que, se Itamar decidir tentar mais um mandato em Minas, e não uma vaga no Senado ou a presidência da República, terá de dizer-lhe, “com muita educação”, que “será difícil”.

Newton, que sempre insinua ter sob seu comando a maioria dos delegados do PMDB no Estado, referia-se à queixa do governador de que o vice teria sido “indelicado” ao garantir que não abriria mão de sua candidatura. O governador respondeu mais uma vez a Newton, por meio de nota. Declarou que não entende “por que o vice está batendo na tecla cansativa e chata de que é candidato a governador”. Itamar lembrou que “nunca foi candidato à reeleição, nem quando era presidente”, reforçando a intenção de não disputar o governo mineiro pela segunda vez.

Nos bastidores da política mineira, os chamados newtistas reconhecem a guerra entre governador e o vice, mas se dizem esperançosos de uma reconciliação. Já os itamaristas negam que haja divergências.