Italianos vão às ruas por mulheres sequestradas no Iraque

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Publicado sexta-feira, 10 de setembro de 2004 as 10:06, por: cdb

Os italianos devem realizar uma grande manifestação na sexta-feira a fim de pedir a libertação das duas funcionárias de uma agência de ajuda humanitária sequestradas no Iraque. Enquanto isso, políticos italianos pressionavam o presidente interino do país árabe, atualmente em visita à Europa, para que facilitasse a eventual solução do caso.

Dezenas de milhares de italianos devem realizar uma passeata através de Roma para exigir a libertação de Simona Pari e Simona Torretta, e a soltura de todos as outras pessoas mantidas reféns no Iraque. O sequestro, na última terça-feira, das duas mulheres que trabalhavam no Iraque para a organização não-governamental Bridge to Baghdad deixou chocados os italianos, a maior parte dos quais são contrários à presença militar do país no Iraque.

Pari e Torretta são as primeiras mulheres civis sequestradas no território iraquiano e a ação dos militantes foi interpretada como uma mudança de estratégia da parte das forças contrárias a quaisquer ocidentais presentes no país, militares ou não. Líderes religiosos, políticos de todo o espectro ideológico, sindicatos e grupos de ajuda humanitária devem participar da passeata desta sexta-feira.

No front político, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, um aliado fiel dos EUA, reunia-se com o presidente interino do Iraque, Ghazi Al Yawar. Yawar, que visita vários países europeus a fim de angariar suporte para os esforços de reconstrução do país e de diminuição da dívida pública, disse que seu governo “fará tudo o que for possível” para ajudar na libertação das mulheres, segundo o jornal Il Messaggero.

A Itália enviou uma subsecretária do Ministério das Relações Exteriores, Margherita Boniver, a cinco países do Oriente Médio para buscar apoio em nome da libertação das reféns. Ainda nesta sexta-feira, o principal clérigo xiita do Líbano condenou a ação dos militantes, que considerou ofensiva ao Islã. As duas mulheres, segundo o líder religioso, eram contrárias à ocupação do Iraque e trabalhavam pelo bem do povo iraquiano.

Ao menos cinco italianos foram sequestrados no Iraque desde abril e dois deles mortos por seus captores.