Itália quer extradição de Abu Abbas

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Publicado quarta-feira, 16 de abril de 2003 as 09:21, por: cdb

A Itália quer a extradição do militante palestino Abu Abbas, que planejou o seqüestro do Achille Lauro, um navio de cruzeiro italiano, em 1985.

Abbas – que foi condenado à prisão perpétua por um tribunal italiano em julgamento à revelia – foi capturado por forças americanas esta semana no Iraque.

A Autoridade Palestina pediu sua libertação imediata, dizendo que a prisão transgride o acordo de paz de 1995, que incluía anistia para integrantes da Organização para Libertação da Palestina (OLP) e da Frente de Libertação da Palestina (FLP).

Um turista americano idoso em uma cadeira de rodas morreu durante o seqüestro do Achille Lauro, quando ele caiu no mar.

Dúvidas

Abbas e o grupo liderado por ele, uma facção da FLP, estavam baseados no Iraque há 17 anos.

O ministro da Justiça da Itália, Roberto Castelli, disse que seu país iria pedir extradição assim que algumas dúvidas legais estivesses esclarecidas.

Autoridades americanas disseram mais cedo que não estava claro se Abbas seria extraditado para julgamento, e se limitaram a dizer que seria feita justiça.

Mas os palestinos dizem que Abbas não deveria ter sido preso.

Acordo

Os Estados Unidos estão vendo a captura de Abbas como uma importante vitória na guerra ao terrorismo e uma comprovação da acusação que faziam de que o regime de Saddam Hussein era ligado a grupos terroristas, segundo Ian Pannel, correspondente da BBC em Washington.

No entanto, Washington tinha suspendido a ordem para a prisão dele há anos.

O ministro palestino Saed Erekat pediu que Washington respeite o acordo de paz de 1995 – assinado pelo então presidente americano, Bill Clinton – que estabelecia que integrantes da Organização para Libertação da Palestina (OLP) não poderiam ser processados por atos de violência cometidos antes de 1993.

Dentro desse acordo, a Suprema Corte de Israel declarou, em 1998, que Abbas estava imune a processos em Israel por causa do seqüestro do Achille Lauro.

Abbas visitou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza várias vezes, em coordenação com americanos e israelenses, segundo Erekat.

Egito

Quatro integrantes da FLP, incluindo Abbas, atacaram o Achille Lauro em 1985, numa tentativa de conseguir a libertação de 50 prisioneiros palestinos em Israel.

O navio foi invadido quando fazia a linha entre as cidades egípcias de Alexandria e Port Said.

Depois de dois dias de impasse, o Egito deu livre passagem aos seqüestradores em troca do restante dos reféns, a maioria deles americanos.

Mas o avião que levava os seqüestradores para a Tunísia foi interceptado por jatos americanos e forçado a aterrisar na Itália.

Os companheiros de Abbas na operação foram condenados a longos períodos na prisão, mas ele foi libertado pelas autoridades italianas, que disseram não ter provas suficientes para prendê-lo.

No entanto, Abbas foi posteriormente condenado à revelia por planejar o seqüestro e recebeu cinco condenações à prisão perpétua.

Em 1996, ele pediu desculpas pela morte do turista americano, descrevendo o episódio como um erro.