Itália pode adotar medidas para evitar falência da Parmalat

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 11:20, por: cdb

A Parmalat vive um dia decisivo nesta terça-feira, para seu futuro: o Conselho de Ministros da Itália aprovará medidas para evitar a falência, e seu conselho de administração adotará outras em prol da empresa, cujo atual presidente, Enrico Bondi, pode ser nomeado representante extraordinário.    

Bondi se reuniu ontem com o ministro de Atividades Produtivas (indústria), Antonio Marzano, que prometeu apresentar  ao conselho de ministros propostas para reformar a lei sobre crise industrial. Acredita-se que o Executivo acelerará os prazos dessa lei para evitar a falência da empresa.

A saída mais provável é que seja declarado o estado de insolvência da Parmalat. A pedido do governo, os tribunais nomeariam um representante, que pode ser Bondi, que apresentaria um plano para reduzir o risco de falência.

Maior empresa alimentícia italiana, a Parmalat emprega 37 mil pessoas no mundo todo, inclusive no Brasil, fatura quase 8 bilhões de euros anuais e arrasta uma dívida bruta de mais de 6 bilhões de euros.

Na América Latina, além do Brasil, a empresa tem presença na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Colômbia, Venezuela, México, Nicarágua e República Dominicana.

É abastecida por milhares de criadores de gado, que temem não receber pelos produtos vendidos. Mas a nova direção da Parmalat assegurou ontem que fará o pagamento da bonificação de Natal a seus funcionários. O risco é de que a produção da Parmalat, que continua funcionando, seja interrompida.

Paralelamente,  continuaram os interrogatórios em Milão relativos à crise, nos quais foi reconstiruído o modo como os contadores da Parmalat conseguiram falsificar os documentos que atribuíam bônus no valor de 3,95 bilhões de euros supostamente depositados no Bank of America, que negou a informação.

Hoje, um representante legal do Bank of America apresentou à Procuradoria de Milão uma denúncia por “falsificação de escritura privada”, em relação a essas quantias inexistentes.

Segundo fontes judiciais, um contador do grupo, interrogado ontem por Francesco Greco, Eugenio Fusco e Carlo Nocerino, confessou ter utilizado um escâner para copiar o logotipo do Bank of America e falsificar o documento em que se atribuíam os 3,95 bilhões de euros.

Os procuradores estão investigando todos os funcionários que aprovaram o balanço do ano 2002, cerca de 20 de pessoas, entre elas o ex-presidente do grupo, Calisto Tanzi, e seu filho.

Fontes judiciais disseram  que se suspeita que algumas irregularidades do grupo tenham ocorrido desde 1988, quando a empresa sofreu outra crise.

Bondi, por sua vez, reuniu-se  com os procuradores de Parma, que também investigam a crise. A sede do grupo se localiza nessa província (Collecchio).

As ações da Parmalat não foram cotadas nesta terça na Bolsa de Milão. Depois da queda de ontem, cada ação vale apenas 0,11 euro. Por enquanto, os títulos da Parmalat abandonaram o MIB30, índice da bolsa de Milão que reúne os 30 papéis mais capitalizados.

A capitalização da Parmalat é de 89,7 milhões de euros. Segundo os operadores, o grupo alimentício vale agora menos que uma pequena empresa.

O grupo Parmalat, de acordo com fontes econômicas e judiciais, tem um “rombo” contábil de quase 10 bilhões de euros e não de quatro bilhões, como se acreditava inicialmente.