Itália critica Londres por tentar resgatar reféns na Nigéria

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Publicado sexta-feira, 9 de março de 2012 as 15:39, por: cdb

Itália critica Londres por tentar resgatar reféns na Nigéria

Por Steve Scherer

ROMA, 9 Mar (Reuters) – A Itália criticou na sexta-feira o governo britânico por não ter lhe informado previamente sobre a frustrada tentativa de resgatar reféns dos dois países na Nigéria.

A ação resultou na morte do britânico Chris McManus e do italiano Franco Lamolinara, que haviam sido sequestrados em maio por um grupo militante islâmico, quando trabalhavam para uma construtora no noroeste nigeriano.

O primeiro-ministro David Cameron disse que os dois foram mortos pelos sequestradores, durante uma tentativa de resgate que envolveu forças britânicas e nigerianas.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, disse que “o comportamento do governo britânico ao não informar a Itália é inexplicável”, e que “um esclarecimento político e diplomático é necessário”.

O chanceler Giulio Terzi exigiu que Londres ofereça nas próximas horas informações sobre o caso, segundo a agência Ansa.

O secretário britânico de Defesa, Philip Hammond, disse que a operação foi realizada porque havia informações de que os reféns estavam prestes a serem transferidos e possivelmente assassinados. “É muito lamentável, mas completamente explicável”, afirmou.

Hammond disse que os italianos foram informados da operação. “Não acho que tenham especificamente aprovado, eles foram informados do que estava acontecendo”, afirmou.

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, disse que seu governo só foi informado após o final da operação, na localidade de Sokoto. O governo britânico confirmou isso na sexta-feira.

Ele também conversou com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, para pedir uma “completa reconstrução” da operação.

A imprensa italiana disse que o fato de o governo não ter sido avisado da operação revela a influência cada vez menor da Itália no cenário internacional, e vinculou o incidente à atual tentativa de Roma de libertar dois fuzileiros navais que estão presos na Índia por matarem dois pescadores, durante uma missão de combate à pirataria no oceano Índico.

Mas o tom nos jornais também foi de condenação à ação unilateral britânica. “O Reino Unido ainda age, talvez inconscientemente, com a nostalgia da glória imperial”, disse o colunista Antonio Puri Purini, do jornal Corriere della Sera.

Os dois reféns europeus foram capturados em maio por militantes do grupo islâmico Boko Haram, que tenta impor a lei islâmica em partes da Nigéria e livrar o país da influência ocidental.

(Reportagem adicional de Catherine Hornby em Roma, Avril Ormsby e Estelle Shirbon em Londres, Tim Cocks em Lagos e Camillus Eboh em Abuja)

Reuters