Israel toma medidas para isolar Arafat

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 08:33, por: cdb

Israel anunciou que diplomatas e políticos estrangeiros que visitarem o líder palestino Yasser Arafat serão proibidos de se encontrar com autoridades israelenses.

A medida é uma das reações do governo do primeiro-ministro Ariel Sharon a dois ataques suicidas em Jerusalém que deixaram nove mortos neste domingo, incluindo os dois homens-bombas.

Um porta-voz disse, porém, que Israel continuará a dialogar com o primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen).

Sharon e Abbas tiveram o seu primeiro encontro oficial no sábado à noite, horas antes da explosão num ônibus no norte de Jerusalém.

O encontro, para se discutir o road map, novo plano de paz para a região, foi o primeiro entre altos representantes dos dois lados em mais de dois anos.

Depois dos atentados, os ministros e as autoridades de segurança de Israel realizaram uma reunião extraordinária para discutir como seria a resposta do país.

O governo decidiu fechar as suas fronteiras com a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Segundo o Exército israelense, os palestinos serão proibidos de entrar ou sair de Israel.

Alguns ministros do gabinete teriam sugerido ainda a expulsão de Yasser Arafat dos territórios palestinos. Sharon teria rejeitado essa proposta.

O governo israelense acusa Arafat de “patrocinar o terror” durante a segunda Intifada (levante palestino contra a ocupação). O país tenta isolá-lo do poder à espera do surgimento de uma nova liderança palestina.

Um correspondente da BBC em Jerusalém disse que o fechamento das fronteiras dos territórios palestinos é uma medida dura e uma tentativa de Israel de evitar novos ataques a bomba.

Após a notícia do atentado, Sharon anunciou o adiamento de sua viagem para encontrar o presidente americano, George W. Bush, em Washington. Ele embarcaria neste domingo, mas não revelou quando pretende viajar.