Israel pede que EUA não recebam arquitetos de acordo informal

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Publicado terça-feira, 2 de dezembro de 2003 as 09:55, por: cdb

Israel pediu na terça-feira ao secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, que não se reunisse com os arquitetos do plano de paz informal para o Oriente Médio, argumentando que seria um erro conceder ao acordo o selo de aprovação do país.

Em um raro momento de desavença entre os dois aliados, o vice-primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, deu sinais claros da insatisfação do Estado judaico com os elogios do governo norte-americano ao Acordo de Genebra, lançado na segunda-feira em uma cerimônia de gala realizada na Suíça.

Tanto o governo direitista de Israel como os grupos militantes palestinos criticaram o plano informal, elaborado por moderados dos dois lados do conflito.

Autoridades norte-americanas afirmam que Powell deseja reunir-se com os co-autores do acordo em Washington no final desta semana, um sinal da crescente impaciência com as dificuldades criadas pelo premiê de Israel, Ariel Sharon, ao avanço do plano de paz patrocinado pelos EUA.

“Acho que ele (Powell) está cometendo um erro”, declarou Olmert à Rádio Israel. “Acho que ele não está ajudando. Acho que esse é um passo errado a ser realizado por um representante do governo norte-americano.”

Em um indício sobre os obstáculos com que ainda se deparam os novos esforços de paz, soldados israelenses mataram na terça-feira, em Jenin, um militante palestino, disseram integrantes das forças de segurança de Israel.

Os palestinos afirmam que tais incursões de Israel, como a realizada na segunda-feira e na qual foram mortos três militantes e um menino de 6 anos, podem fazer com que os grupos radicais retomem os atentados suicidas após dois meses de calmaria.

As recentes operações de Israel contrastaram com o clima festivo do lançamento do Acordo de Genebra, na segunda-feira. O plano foi elogiado por líderes e ex-líderes mundiais.

Uma pesquisa de opinião recente mostrou um aumento do apoio ao plano entre os israelenses. Atualmente 31 por cento o apóiam, contra 25 por cento em outubro. São contrários ao acordo 37,7 por cento dos israelenses (em outubro, esse número era de 54 por cento).