Israel ignora pedido da ONU

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 13 de setembro de 2003 as 12:08, por: cdb

Israel ignorou neste sábado uma advertência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra sua ameaça de exilar o presidente palestino Yasser Arafat, dizendo que a segurança nacional está em jogo em meio à nova onda de ataques suicidas. “Com todo o respeito, Arafat é um hábil terrorista. Nós não iremos abjurar nosso direito de legítima defesa”, afirmou uma fonte próxima ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon.

Um alto funcionário israelense também criticou a “hipocrisia” do Conselho de Segurança da ONU e da comunidade internacional, que são contra a decisão de Israel de expulsar Arafat. “Quando se trata de defender um terrorista como Yasser Arafat, o mundo se mobiliza, mas quando se trata das crianças e mulheres que são mortas nas ruas de Israel, o Conselho de Segurança permanece calado”, disse a autoridade, que pediu anonimato.

“Apesar destas críticas injustificadas, Israel não vai modificar a decisão tomada na quinta-feira pelo gabinete de segurança de se livrar de Yasser Arafat no momento oportuno”, advertiu.

Confrontos durante a noite entre forças israelenses e palestinos na cidade de Nablus, na Cisjordânia, mataram um homem de 85 anos que passava pelo local, segundo testemunhas. Fontes militares informaram que os soldados israelenses estavam atrás de um militante local, mas não mencionaram a morte do idoso.

Também na Cisjordânia, o Exército descobriu três cinturões com bombas em um açougue em Belém, de acordo com fontes de segurança de Israel, que acusam o grupo militante islâmico Hamas de planejar dar sequência aos dois ataques suicidas que mataram 15 pessoas na terça-feira.

O gabinete de segurança israelense respondeu aos ataques com a decisão de remover Arafat “de uma forma que será determinada separadamente”, provocando protestos no mundo todo. O Conselho de Segurança da ONU alertou Israel na sexta-feira contra tal medida. “Os membros do Conselho expressaram a posição de que a remoção do senhor Arafat seria inútil e não deve ser implementada”, disse o embaixador britânico Emyr Jones Parry.

Com apoio dos Estados Unidos, o país acusa Arafat de fomentar a violência nos quase três anos de levante palestino contra a ocupação da Cisjordânia e Faixa de Gaza – acusação que ele nega. Mas Washington não quer o líder ex-guerrilheiro, de 74 anos, exilado, temendo o fim do plano de paz para o Oriente Médio liderado pelos Estados Unidos, o Mapa da Paz, já cambaleante pela recente violência.