Israel fará desocupação unilateral em Gaza

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Publicado domingo, 7 de dezembro de 2003 as 15:14, por: cdb

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e seu vice, Ehud Olmert, ministro da Indústria e Comércio, foram  duramente criticados por seus aliados ultranacionalistas por apoiarem uma retirada militar unilateral da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

A polícia ordenou esta manhã a investigação sobre cartazes colados exibindo a foto de Olmert com Adolf Hitler. Já na internet, é possível encontrar um site de esquerdistas estrangeiros com uma imagem de Sharon beijando o ex-líder do Terceiro Reich.

Os cartazes foram fixados em paredes de Jerusalém, de onde Olmert foi prefeito. O vice-premier de Israel é um veterano “falcão” do bloco direitista Likud, a principal formação da coalizão do Governo de Sharon com partidos ultranacionalistas.

Olmert surpreendeu a classe política e a opinião pública na sexta-feira passada com declarações ao jornal “Iediot Ahronot” a favor de uma retirada unilateral dos territórios palestinos ocupados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, onde há mais de três anos os palestinos se rebelam por sua independência.

Ele também admitiu a necessidade de ceder importantes bairros árabes de Jerusalém, que Israel anexou depois da guerra de 1967 e que hoje são “parte integral” de sua “capital indivisível e eterna”.

De acordo com Olmert, a continuação do panorama atual levará ao desaparecimento de Israel como Estado judeu, pois em menos de dez anos, calcula-se que os palestinos serão maioria, levando em conta os que moram neste país, 20 por cento de seus cidadãos, e os residentes nos territórios ocupados.

Se os palestinos, que se negam sistematicamente a adotar a cidadania israelense, o fizerem e renunciarem à aspiração por um Estado próprio, “perderemos tudo”, afirmou Olmert, considerado um “homem de Sharon”. Neste caso, eles teriam direito ao voto, enquanto Israel manteria seu regime democrático.

Dias antes dessas declarações, Olmert havia consentido, por exigência da União Européia (UE), a identificação da origem das mercadorias exportadas por Israel ao mercado comum, o que permitiria a cobrança das tarifas alfandegárias das exportações procedentes dos assentamentos estabelecidos nos territórios palestinos ocupados.

Como estado associado da UE, o grosso das exportações de Israel aos países do bloco, cerca de 7 bilhões de dólares anuais, está isento de pagar essas taxas. Os assentamentos exportam cerca de 120 milhões de dólares, segundo a imprensa local.

Os cartazes em Jerusalém mostram Olmert “selando” os produtos dos assentamentos com a “estrela de David amarela”, que identificava os judeus nas zonas européias ocupadas pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Sharon, identificado por extremistas judeus da direita ultra-nacionalista com Hitler, como ocorreu há oito anos com o ex-primeiro-ministro trabalhista Yitzhak Rabin, anunciou esta semana sua disposição em adotar “medidas unilaterais” caso não prosperem as futuras negociações de paz com o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Alá.

Os colonos interpretam o propósito de Sharon como uma disposição de se retirar de parte de Gaza, e da Cisjordânia, “Judéia e Samaria” da Terra Prometida ao povo judeu, segundo o Velho Testamento.

“Estou convencido de que o bloco Likud não permitirá a Sharon e a Olmert se desviarem de nossa ideologia”, afirmou o ex-presidente do Parlamento (Knesset), Dov Schilansky, que mencionou vários ministros de Estado em suas críticas contra esse plano unilateral.

O ex-primeiro-ministro Ehud Barak aconselhou Sharon a aprovar a proposta de Olmert como política oficial de seu Governo. Neste caso, se o premier abandonasse seus aliados da direita ultra-nacionalista, os trabalhistas ingressariam na coalizão.