Israel e Palestina provocaram 83 mortes em um mês

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Publicado terça-feira, 3 de novembro de 2015 as 11:08, por: cdb

Por Redação, com agências internacionais – de Jerusalém:

A violência entre Israel e Palestna, em um mês já provocou a morte de 73 palestinos e 10 israelenses, sem que os esforços internacionais tenham conseguido frear a escalada de violência, a pior desde a guerra de Gaza, em 2014.

Na segunda-feira mesmo, ações violentas no Norte do território ocupado da Cisjordânia e nas cidades israelenses de Rishón Letzión e Natania mostram que a paz está longe e que o número de mortos e feridos não para de aumentar.

Um palestino morreu, atingido por soldados israelenses na área de fronteira de Yalame, no extremo Norte da Cisjordânia, segundo os militares, depois de ter apunhalado um de seus colegas.

A violência entre Israel e Palestna, em um mês já provocou a morte de 73 palestinos e 10 israelenses
A violência entre Israel e Palestna, em um mês já provocou a morte de 73 palestinos e 10 israelenses

Os outros dois casos deixaram quatro israelenses feridos, três deles com gravidade, esfaqueados por palestinos em centros urbanos no sul e no norte de Telavive. Os atacantes seriam residentes dos territórios ocupados, mas a polícia não informou se estavam em Israel legal ou ilegalmente.

Mais de 150 mil palestinos trabalhavam em Israel até o dia 1º de outubro, com autorização ou sem, mas os acessos foram restringidos de forma dramática com o início da nova onda de violência, em setembro, após uma série de confrontos entre manifestantes palestinos e a polícia israelense na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém.

Lugar sagrado para judeus e muçulmanos, o controle do local sempre foi motivo de conflito entre as duas partes. Os palestinos acusam Israel de ter mudado o status quo que imperava no recinto desde 1967, algo que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nega.

Apelidado pelos palestinos de “intifada de Jerusalém”, o conflito já provocou dezenas de mortes e mais de 2.240 feridos, cerca de 2 mil feridos por balas disparadas pelo Exército durante os protestos, que desde então não pararam na Cisjordânia, Jerusalém e Gaza, de acordo com dados do Ministério da Saúde, em Ramallah.

Do lado israelense o número de feridos é muito mais baixo, contabilizando-se 140 de acordo com o serviço de emergência Maguen David Adom, equivalente à Cruz Vermelha.

Os esforços de mediação, desde há duas semanas, do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e depois do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, conseguiram um acordo mínimo para a instalação de câmaras na Esplanada (ainda não instaladas), para verificar o cumprimento do status quo.

Violência

No último sábado, forças de segurança israelenses mataram a tiros um palestino que correu em sua direção com uma faca na Cisjordânia, disse a polícia, em meio a uma onda de violência que já dura um mês e não dá mostras de arrefecimento. 

Uma porta-voz da polícia israelense disse que em um posto de controle no norte da Cisjordânia um palestino segurando uma faca correu em direção a um oficial de segurança, que pediu que ele parasse.

– Quando ele não atendeu ao pedido o oficial atirou em sua direção a fim de neutralizá-lo e, como resultado, o terrorista foi morto – disse a porta-voz Luba Samri. Autoridades médicas palestinas disseram que ele tinha 18 anos de idade.

O aumento da violência neste mês, a maior desde a guerra em Gaza em 2014, se deu, em parte, por conta das tensões religiosas e políticas envolvendo a mesquita al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém, que é sagrada para muçulmanos e judeus.

Um número crescente de visitas por judeus à praça al-Aqsa – o local mais sagrado do Islã fora da Arábia Saudita e reverenciado no judaísmo como o local de dois templos bíblicos destruídos – levantou questionamentos palestinos de que Israel estaria violando um “status quo” sob o qual a oração não-muçulmana é banida no local.

Israel diz que tais alegações são falsas e que sua veiculação por autoridades palestinas e divulgação em mídias sociais árabes tem incitado a violência.

Desde o início da última agitação em 1o de outubro, pelo menos 65 palestinos foram mortos a tiros por israelenses. Do total, 38 estavam armados, principalmente com facas, disse Israel, enquanto outros foram alvejados durante violentos protestos anti-Israel. Muitos eram adolescentes.

Onze israelenses foram mortos em tiroteios e esfaqueamentos.