Israel e Palestina assinam cessar-fogo em Beit Jalla

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Publicado quarta-feira, 29 de agosto de 2001 as 20:43, por: cdb

Autoridades do governo de Israel anunciaram nesta quarta-feira ter chegado a um acordo, em princípio, com os palestinos para se retirar da localidade de Beit Jalla, nas próximas horas. Em troca, a Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, conteria os militantes que vinham atirando contra o bairro judeu de Gilo, em Jerusalém.

O correspondente da CNN em Jerusalém, Jerrold Kessel, informou que o acordo em princípio foi alcançado depois de intensos esforços de mediação feitos por diplomatas europeus.

Durante a madrugada, soldados israelenses e militantes palestinos haviam travado intensos tiroteios em Beit Jalla e num campo de refugiados vizinho, horas depois de blindados das Forças de Defesa de Israel terem invadido a cidade.

Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, afirmou que estava em contato telefônico com Arafat.

“O presidente Arafat disse que faria o que estivesse ao seu alcance para pôr fim aos tiros”, disse Peres, em entrevista coletiva. “Tudo isso tem de ser traduzido em ações”.

Se a calma for restabelecida, o exército se retiraria de Beit Jalla em um dia ou dois, acrescentou o chanceler.

Em um primeiro sinal de que uma trégua estaria entrando em vigor, testemunhas contaram ter visto policiais palestinos instalando postos de controle na entrada de Beit Jalla, no início da tarde desta quarta-feira, para impedir a passagem de militantes armados.

Na véspera, os Estados Unidos haviam apelado a Israel para se retirasse de Beit Jalla, e aos palestinos para que detivessem os militantes que atacam Gilo, a fim de não agravar ainda mais a situação na região.

Quatro mortos de madrugada
Durante a madrugada desta quarta-feira, três palestinos e um israelense morreram a tiros em incidentes separados, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, de acordo com fontes de ambos os lados.

Um palestino foi morto perto da cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, durante um conflito com soldados israelenses, disse a Sociedade do Crescente Vermelho.

No vilarejo de Faroun, na região de Tulkarem, na Cisjordânia, um palestino morreu e outros dois ficaram feridos a tiros, de acordo com as mesmas fontes.

Um israelense também morreu em Nablus, na Cisjordânia, informaram fontes de um hospital. A Rádio Israel disse que militantes palestinos haviam disparado contra a vítima, um motorista de um caminhão, enquanto ele passava por uma estrada da região.

Dois palestinos ficaram feridos, um deles gravemente, no campo de refugiados de Aideh, próximo a Belém, que foi bombardeado durante a noite pelos israelenses, afirmou o Crescente Vermelho.

Em outro incidente na quarta-feira, um palestino foi morto e outros dois ficaram feridos por supostos civis israelenses na Cisjordânia, disse a polícia de Israel.

O tiroteio aconteceu perto do assentamento judaico de Anatot, ao norte de Jerusalém, quando um grupo abriu fogo contra um carro palestino. A polícia israelense declarou que havia instaurado um inquérito para apurar o crime.

Em um telefonema anônimo, um homem alegando representar um grupo judaico até então desconhecido, reclamou a responsabilidade pelo ataque e afirmou que o ato foi para vingar um colono judeu morto por palestinos no início dos 11 meses de conflito, disse a polícia.