Israel é acusado de assassinato intencional de pacifista

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 16:04, por: cdb

Um grupo de ativistas internacionais de apoio aos palestinos contestou nesta segunda-feira a alegação do Exército israelense de que uma manifestante norte-americana atropelada por um buldôzer foi morta acidentalmente e acusou os militares de a terem matado intencionalmente.

O Movimento de Solidariedade Internacional informou que Rachel Corrie estava na linha de visão da pessoa que guiava o buldôzer quando colocou-se em sua rota para evitar a demolição de um prédio palestino no campo de refugiados de Rafah.

“Quando o buldôzer recusou-se a parar ou desviar, ela subiu num monte de lixo e escombros acumulado em frente ao prédio, ficando de frente para o condutor, que continuou avançando”, informou o grupo por meio de um comunicado.

O Exército de Israel garantiu no último domingo (16) que a morte de Corrie foi acidental. De acordo com os militares, as pequenas janelas do veículo restringiram a visão do condutor. Diversos pedidos da The Associated Press para entrevistar o comandante israelense responsável pela região foram negados seguidamente.

Nesta segunda-feira, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, revelou ter entrado em contato com a família de Corrie para manifestar sua tristeza com a morte da jovem. “Nosso povo a abraça e oferece a ela nossas preces”, declarou.

O corpo de Corrie permanecia nesta segunda-feira na morgue de um hospital palestino. Os pais da norte-americana estão a caminho de Rafah para cremá-la e realizar uma cerimônia em sua homenagem, disse Charles Smith, membro do Movimento de Solidariedade Internacional.

No edifício da Organização das Nações Unidas (ONU) na Cidade de Gaza, cerca de 200 palestinos e estrangeiros participaram nesta segunda de uma missa em homenagem a Corrie. Quatro garotas depositaram flores e uma foto da garota num túmulo vazio. Os participantes fizeram um minuto de silêncio.

Em Rafah, um civil palestino de 43 anos assassinado pelos soldados israelenses logo após o atropelamento de Corrie foi sepultado nesta segunda-feira. Seguidores da procissão levaram um caixão vazio envolto em bandeiras dos Estados Unidos e da Palestina para simbolizar a ativista atropelada.

Smith, que testemunhou a morte da companheira, disse que tudo começou quando Corrie sentou em frente ao buldôzer. O condutor então a cobriu com um monte de terra, soterrou-a e passou por cima duas vezes. Smith e Corrie trajavam roupas laranja fluorescente com faixas brilhantes e estavam devidamente identificados como estrangeiros.

Por meio de um comunicado, o grupo pacifista relatou: “O buldôzer começou a avançar de modo a colocá-la sob um monte de lixo e escombros. Depois de ela desaparecer da visão do condutor, ele continuou avançando até deixar todo o veículo sobre ela.”

No passado, manifestantes conseguiram impedir o trabalho dos buldôzeres sentando na frente deles, comentou Smith.

Os amigos de Corrie reuniram-se em torno de seu corpo ensangüentado antes ser levada ao Hospital de Rafah, o principal complexo hospitalar na fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza. Ela foi socorrida com vida e morreu ao dar entrada no hospital.