Israel diz que atentado em Tel Aviv prova que governo palestino é um fracasso

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 08:27, por: cdb

Israel condenou o atentado suicida que matou três civis em Tel Aviv, na madrugada desta quarta-feira, afirmando que o ato de violência prova que o novo governo palestino do primeiro-ministro Mahmoud Abbas é “um fracasso total”.

“Esse foi o primeiro teste do novo governo palestino e até agora foi um fracasso total”, declarou Dore Gold, um porta-voz do Gabinete israelense.

Abbas, também conhecido como Abu Mazen, está sendo empossado nesta quarta-feira – a criação de seu cargo foi uma precondição estabelecida pelo “Quarteto de Madrid” – formado por Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas – para divulgar um “mapa do caminho” para a paz entre Israel e os palestinos.

Em Tel Aviv, um terrorista suicida detonou os explosivos presos a seu corpo em frente a um café, por volta de 1h (hora local), após ser impedido de entrar no estabelecimento por um segurança, informou a Polícia.

Além do terrorista, a explosão matou três pessoas, entre elas uma francesa, possivelmente uma garçonete do café, segundo as autoridades.

Cerca de 50 pessoas ficaram feridas, incluindo seis em estado grave, de acordo com fontes médicas israelenses.

O braço militar do Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa – a ala militar do movimento Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat – declararam à Associated Press terem cometido o ataque em uma ação conjunta para vingar a morte de um militante palestino e advertir o novo governo palestino que “ninguém pode desarmar os movimentos de resistência sem uma solução política”.

O café Mike’s Place, atingido pelo atentado, fica numa área de grande concentração de bares e boates, próximo da embaixada dos Estados Unidos.

Barry Gilbert, músico de uma banda que se apresentava no café, disse que cerca de 100 pessoas estavam no local na hora da explosão.

Também nesta quarta-feira, um palestino foi morto perto de um posto militar israelense no sul da Faixa de Gaza, após os soldados o flagrarem tentando se infiltrar numa área restrita, perto de Rafah, relatou o Exército.

Gabinete palestino

Horas antes do atentado em Tel Aviv, o Parlamento palestino havia aprovado o Gabinete do primeiro-ministro Abu Mazen.

“Nós rejeitamos o terrorismo cometido por qualquer parte e sob todas as suas formas”, afirmou Abu Mazen, num discurso na manhã de terça-feira, antes da votação do Legislativo.

Uma autoridade do governo israelense disse que esse “tipo de ataque sangrento tem que parar”.

“Só haverá progresso quando o novo governo palestino tomar, de uma vez por todas, medidas firmes e decididas para reprimir o terrorismo que germina no seu quintal”, afirmou. “Israel exige que o novo governo palestino aja imediatamente para impedir atos de terror como o que vimos em Tel Aviv”.

Saeb Erakat, o negociador-chefe palestino, argumentou que o atentado mostra o quanto o “mapa do caminho” para a paz é necessário.

Esse plano prevê a criação de um Estado palestino até 2005.

“Nós condenamos esse ataque. Esperamos realmente que não impeça a introdução do mapa do caminho, que é essencial agora”, ressaltou. “Esse ato mostra o quanto precisamos desse projeto e o quanto precisamos de sua implementação para romper o círculo vicioso e a violência e a reação”.

Em Washington, o porta-voz Ari Fleischer declarou à CNN que a “Casa Branca condena esse homicídio nos mais fortes termos”.

“Esse ataque visa obviamente a prejudicar o processo de paz. O Governo Bush dará continuidade a seus esforços para levar as partes de volta ao caminho da paz”, acrescentou.

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, viajará a Israel e à Faixa de Gaza na próxima semana para discutir o plano com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e Abu Mazen, segundo fontes.

Powell também transmitirá um convite para que o premier palestino visite o presidente George W. Bush em Washington, uma cortesia nunca oferecida a Arafat.