Israel discute plano de paz

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Publicado sexta-feira, 28 de dezembro de 2001 as 20:16, por: cdb

Israel aliviou o bloqueio sobre os territórios autônomos palestinos, enquanto debate o diálogo entre o chanceler israelense, Shimon Peres, e o presidente do Conselho Legislativo palestino, Abu Ala (ou Ahmed Qrei), para definir as linhas de um acordo de transição. Esta semana, o presidente da Autoridade Nacional Palestina Yasser Arafat incentivou Qrei a prosseguir com os esforços nesse sentido, mas o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, considera as negociações tempo perdido e se nega a assinar o esboço de acordo.

Por sua vez, as autoridades militares israelenses disseram que, após o enérgico discurso pronunciado pela televisão há dez dias por Arafat, a violência diminuiu. No entanto, trata-se de uma pausa e de uma mudança estratégica, advertiu hoje o chefe do Estado Maior israelense, major-general Shaul Mofaz, para quem a Autoridade Nacional Palestina (ANP) “está repleta, da cabeça aos pés, de elementos terroristas ativos”.

A iniciativa de Peres, segundo pesquisa do jornal Maariv, tem o apoio da maioria dos israelenses. O chanceler acredita que seja possível acertar com os palestinos um novo cronograma. O plano deveria permitir em 12 meses de árduas negociações que se encontrasse a solução para os maiores obstáculos que impedem um acordo de paz: os colonos, os refugiados, os Lugares Santos e as fronteiras da Palestina, entre outras questões.

Mas dois altos oficiais israelenses, o atual chefe de inteligência, o general Amos Macla, e o coordenador das atividades nos territórios, general Amos Ghilad, advertiram que Israel não poderá nunca assinar com o presidente Yasser Arafat um tratado de paz definitivo. Ghilad avançou ainda mais, afirmando que Arafat representa para Israel um perigo estratégico maior que o Irã ou o Iraque.

O primeiro-ministro Sharon, pressionado ao mesmo tempo pelas atitudes pessimista de seus generais e confiante de Peres, inclina-se a favor dos primeiros. Muito dependerá, nas próximas semanas, do ministro da Defesa, Benyamin Ben Eliezer, que desde quinta-feira é o novo líder do Partido Trabalhista e que oscila entre ambas as posições.