Israel aumenta cerco a quartel-general de Yasser Arafat

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Publicado sexta-feira, 18 de janeiro de 2002 as 21:16, por: cdb

Forças do Exército de Israel intensificaram o cerco ao escritório do líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia. A operação é uma represália ao ataque de um palestino que matou seis israelenses e deixou mais de 30 feridos durante uma festa em Hadara, no norte do país. O governo de Israel responsabilizou Yasser Arafat pelo ataque e informou que lhe “ensinará uma lição”. Manifestantes palestinos em Ramallah atiraram pedras contra os tanques do exército de Israel.

Durante os protestos contra a operação israelense, um manifestante, de 22 anos, foi baleado na cabeça e no pescoço por tropas de Israel e morreu no hospital. Nesta sexta-feira, aviões israelenses bombardearam uma base palestina na cidade de Tulkarm, na Cisjordânia. Um policial morreu e pelo menos 40 ficaram feridos no ataque. De acordo com o ativista de direitos humanos palestino, Mustafa Barghouti, que atua em Ramallah, os tanques de Israel estão ocupando praticamente cerca de 55 por cento da cidade.

Desde uma série de atentados contra Israel, realizados há um mês, Arafat foi proibido de sair de Ramallah. O governo israelense anunciou que pretende isolá-lo completamente, negando a Arafat inclusive o direito de fazer viagens ao exterior. O negociador-chefe da Autoridade Palestina, Saeb Erekat, condenou o atentado em Hadera, mas também a retaliação de Israel. “Os palestinos querem uma intervenção internacional urgente para acabar com os planos do primeiro-ministro Ariel Sharon de destruir a Autoridade Palestina e o processo de paz”.

De acordo com o grupo militante Brigadas Al-Aqsa, o ataque foi realizado por vingança por um membro do Fatah, o movimento político de Yasser Arafat. As Brigadas de Al-Aqsa e o Fatah são associados. O atentado foi o primeiro contra civis dentro de Israel desde 16 de dezembro, quando Yasser Arafat declarou um cessar-fogo após uma onda de ataques palestinos. Vários grupos militantes palestinos anunciaram que não vão mais respeitar o cessar-fogo.