Israel anuncia que vai voltar a matar líderes do Hamas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 1 de setembro de 2004 as 08:51, por: cdb

Israel vai retomar sua campanha de assassinar líderes do Hamas em retaliação aos primeiros ataques suicidas no país em quase seis meses, disseram fontes de segurança nesta quarta-feira.
A retomada dessas ações contra a liderança do grupo militante pode intensificar o ciclo de violência entre israelenses e palestinos, complicando ainda mais os planos de Israel de retirada da Faixa de Gaza até o final do próximo ano.

Israel matou os dois principais líderes do Hamas em Gaza com ataques de mísseis em março e abril, mas fontes de segurança afirmaram que ações contra o alto escalão do grupo foram congeladas nos últimos meses para que fossem atingidos militantes de nível mais baixo, que disparam foguetes contra cidades do sul do país.

Mas o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e seus comandantes de segurança decidiram colocar a liderança do Hamas em Gaza de volta à mira do Exército depois que dois suicidas explodiram-se quase simultaneamente na cidade de Beersheba nesta terça-feira. Pelo menos 16 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas.

– A política agora é atingir líderes do Hamas onde quer que estejam – disse uma fonte de alto escalão da segurança israelense.

Os principais líderes do Hamas em Gaza, Mahmoud al-Zahar e Ismail Haniyeh, estão escondidos desde que Israel começou a perseguir e matar os membros sênior do grupo. O chefe político do Hamas, Khaled Meshaal, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato por Israel na Jordânia em 1997, fica em Damasco, na Síria.

Os atentados em Beersheba foram a vingança sangrenta do grupo islâmico pelos assassinatos do xeique Ahmed Yassin, em março, e de Abdel Aziz al-Rantissi, em abril. Essa ação se seguiu a um ataque suicida que matou 10 pessoas no porto israelense de Ashdod.

Os ataques desta terça-feira acabaram com um período de relativa calma dentro de Israel, mostrando que o Hamas – que deseja destruir o Estado judeu – não está debilitado apesar dos constantes ataques de Israel contra sua infra-estrutura e da construção da barreira na Cisjordânia.

Em resposta aos ataques contra os ônibus, Israel cercou a cidade de Hebron, na Cisjordânia, e tropas do Exército destruíram nesta quarta-feira o primeiro andar da casa onde vivia um dos suicidas.