Israel amplia ofensiva e mata dois em Gaza

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Publicado sexta-feira, 1 de outubro de 2004 as 08:42, por: cdb

Israel enviou reforços ao norte da Faixa de Gaza, nesta sexta-feira, ampliando uma ofensiva por terra destinada a conter os ataques contra cidades israelenses. Dois militantes palestinos morreram ao serem atingidos por um míssil.

Fontes palestinas disseram que 90 tanques e outros blindados avançaram pela região durante a madrugada, horas depois de 28 palestinos e três israelenses terem sido mortos, nesta quinta-feira, o dia mais sangrento em Gaza nestes quatro anos de conflito.

O grupo Hamas qualificou a incursão de “guerra total” contra os palestinos, e prometeu reagir.
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, aprovou a ofensiva na Faixa de Gaza, de onde nesta semana partiram os foguetes caseiros que mataram duas crianças israelenses na cidade vizinha de Sderot. Os ataques alimentam as críticas da extrema direita israelense contra a proposta de Sharon de desocupar a Faixa de Gaza em 2005.

O ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, que é contra o plano, propôs na quinta-feira que as forças israelenses ataquem a infra-estrutura elétrica e hidráulica da Faixa de Gaza, como forma de aumentar a pressão sobre os palestinos, segundo uma fonte política. Sharon rejeitou a proposta.

Enquanto as tropas israelenses penetravam pela primeira vez no campo de refugiados de Jabalya, o maior de Gaza, homens armados em áreas vizinhas convergiam para lá a fim de combater os soldados.

Durante os tiroteios, um avião de Israel lançou uma bomba junto a uma mesquita, que matou dois militantes do Hamas que estavam em uma moto e feriu vários palestinos que passavam por lá, segundo testemunhas e fontes hospitalares.

Militares disseram que o míssil atingiu palestinos que se preparavam para lançar um foguete contra o território de Israel. Um outro míssil, logo depois, feriu um homem armado.

– Israel está lançando uma guerra total no norte da Faixa de Gaza, em meio ao completo silêncio do mundo – disse Mushir Al Masri, porta-voz do Hamas.

– Mas nossa gente não vai se render e não vai parar de se defender – ressaltou.

Esse novo ciclo de violência dá mais argumentos para a extrema direita de Israel, que teme que a desocupação da Faixa de Gaza incentive os militantes e os faça cantar vitória. O Exército parece, portanto, determinado a esmagar os guerrilheiros antes de partir.

O núcleo do gabinete de Sharon aprovou na quinta-feira a ação militar, que não tem data para acabar. O objetivo é criar um cordão de isolamento para evitar que os militantes atinjam o território israelense e invadir redutos deles.

– Vamos limpar as equipes (que lançam) foguetes. Não vamos sair de Gaza sob a sombra dos foguetes Qassam – declarou uma importante fonte do governo.

Mas os militantes não se curvam.

– A fórmula é clara – sangue por sangue, bombardeio por bombardeio – disse um representante do Hamas no campo de Jabalya, onde moradores relataram que escavadeiras demoliram casas para abrir caminho até o local, onde vivem 100 mil pessoas.

O Exército disse que os militares tiveram de abrir caminho sob disparos de armas pesadas e granadas, em meio a ruas cheias de armadilhas explosivas. Esta é a incursão mais profunda de Israel nos becos de Jabalya em quatro anos de conflito. O Exército evitou fazer isso até agora com receio de que suas tropas e tanques ficassem vulneráveis demais.

Condenando a ação iniciada dois dias antes, o presidente palestino, Yasser Arafat, pediu na quinta-feira aos líderes mundiais que “intervenham imediatamente para conter os massacres continuados”.