Iraquianos prometem dar suas vidas por Saddam

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Publicado quarta-feira, 19 de março de 2003 as 20:29, por: cdb

O parlamentares iraquianos, reunidos nesta quarta-feira em uma sessão extraordinária para discutir o ultimato do presidente americano, George W. Bush, ao presidente do Iraque, Saddam Hussein, prometeram sacrificar suas vidas por ele.

“Nós estamos dedicados ao martírio em defesa do Iraque sob sua liderança. O povo não aceita outro líder a não ser você”, expressaram num comunicado pela manhã desta quarta-feira. O Legislativo iraquiano apenas endossa as determinações governamentais. Quem de fato tem poder no país é o comando do Conselho Revolucionário e o Partido Baath, ambos dirigidos por Saddam.

Durante a reunião, os deputados gritaram, com os punhos erguidos: “Com nosso sangue, nossas almas, nós redimiremos você, Saddam”. O presidente do Parlamento, Saadoon Hammadi, abriu a sessão condenando o ultimado dado por Bush a Saddam e seus dois filhos, Uday e Qusay, que ocupam altos postos no governo.

“Nós rejeitamos e condenamos essa insolência, agressão e violação de leis. Os iraquianos não são o tipo de povo que a administração americana pode ordenar o que fazer”, declarou Hammadi, enfatizando ser “impensável” a idéia da saída de Saddam do poder. O governo iraquiano já rejeitara o ultimato numa reunião na última terça-feira (18) de manhã do Conselho do Comando Revolucionário e o Partido Baath.

Poucas horas depois, o vice-primeiro-ministro, Tarek Aziz – um dos principais assessores de Saddam – , convocou uma entrevista coletiva de imprensa para desmentir os rumores de que tivesse abandonando o governo e fugido para a região curda, no norte do país. A agência de notícias russa Itar-Tass chegou a noticiar boatos de que ele havia sido assassinado.

“Esses rumores inscrevem-se no quadro da guerra psicológica desenvolvida pelos Estados Unidos (…) para minar o moral do povo iraquiano”, disse Aziz, reiterando ser “impossível” ao governo aceitar o ultimato dos americanos. “Ele pede ao dirigente ilustre que deixe o país e isso é evidentemente impossível”, declarou.

Aziz é considerado a “face amável” do regime. Nos últimos meses, era o encarregado de receber as delegações estrangeiras que visitavam Bagdá. Único cristão no governo, ele esteve há algumas semanas no Vaticano, onde se encontrou com o papa João Paulo II, e na cidade italiana de Assis.

Antes mesmo de Aziz vir a público, o líder da União Patriótica do Curdistão, Yalal Talabani, negou que ele tivesse se refugiado no norte iraquiano, região controlada pela minoria curda desde o fim da Guerra do Golfo.

Também numa entrevista à imprensa, o ministro da Informação do Iraque, Mohamed Sayed al-Sahaf, acusou os EUA de “mentirem e enganar suas tropas” e pediu aos soldados americanos que “não obedeçam às ordens de seus superiores para invadir o Iraque”.

“Eles enganam seus soldados quando dizem que a invasão do Iraque será uma excursão e não lhes explicam o incerto destino que encontrarão se obedecem a tais ordens”, disse Al-Sahaf. O ministro acrescentou que eventuais americanos capturados serão considerados mercenários, e não combatentes regulares, “porque esta não é uma guerra, mas uma agressão que viola a legalidade internacional”.

“Nós exortamos os oficiais e soldados americanos no Kuwait e em outras partes da região a que conscientizem do engano a que estão sendo submetidos pelo governo de seu país”, afirmou al-Sahaf, que mencionou declarações que o ex-presidente americano George H. Bush – pai do atual líder dos EUA.

Segundo Al-Sayaf, a ex-primeira-ministra da Turquia Tansu Çiller disse que Bush pai lhe falou que teria sido uma loucura invadir o Iraque porque os EUA teriam colocado suas tropas num “holocausto”.

A TV local transmitiu a entrevista ao vivo e depois mostrou imagens de manifestações contra os EUA no Iraque.