Iraquianos devem escolher seu próprio governo, dizem países árabes

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Publicado quarta-feira, 9 de abril de 2003 as 17:24, por: cdb

Enquanto as tropas americanas assumiam o controle de Bagdá, os países árabes exigiam nesta quarta-feira que os próprios iraquianos escolham seu governo, opondo-se à vontade de Washington de instalar uma administração provisória.

Primeiro chefe de Estado árabe a reagir à derrubada do governo de Saddam Hussein, o presidente egípcio Hosni Mubarak pediu que o povo iraquiano “se encarregue do governo e da administração o mais rápido possível”.

“Friso a necessidade de agir o mais rápido possível para que os iraquianos tomem em suas mãos o governo e administração de seu país”, declarou Mubarak, citado pela agência oficial Mena.

“O fato do Iraque ser dirigido por seus filhos o quanto antes é o meio mais rápido de garantir a estabilidade para o povo iraquiano”, acrescentou.

Washington pretende confiar a administração do “novo” Iraque, pelo menos numa primeira etapa, ao general americano da reserva Jay Garner.

Ao ser consultado sobre a posição do Egito em relação a um governo transitório deste tipo, o chefe da diplomacia egípcia, Ahmed Maher, respondeu: “Até agora há um governo iraquiano, não sei onde está, mas existe do ponto de vista legal. Se houver novos acontecimentos, veremos”.

Em Riad, o ministro saudita das Relações Exteriores, Saud al Faysal, também estimou que o povo iraquiano devia formar seu próprio governo e exigiu um fim rápido da ocupação anglo-americana do Iraque.

“O governo de Bagdá com o qual manteremos relações será o escolhido pelo povo iraquiano. Não nos anteciparemos aos acontecimentos, aceitaremos tudo o que o povo iraquiano decidir”, disse o príncipe Saud al Faysal.

“Deve-se abrir o caminho ao povo iraquiano para que escolha os meios com os quais quer administrar seus assuntos, e a ocupação deve terminar o mais rápido possível”, acrescentou o ministro saudita.

O príncipe Saud destacou que o novo governo iraquiano teria que ser reconhecido pelas Nações Unidas, que a seu ver devem estar implicadas no Iraque.

Por sua vez, em Amã, o ministro jordaniano das Relações Exteriores, Marwan Moasher, também declarou que o povo iraquiano tinha que decidir seu futuro e escolher seus dirigentes.

“O povo iraquiano deve decidir o futuro do Iraque e seus dirigentes no estado atual das coisas”, afirmou Moasher. “Não cabe a ‘ninguém’ fazê-lo em seu lugar”, acrescentou, frisando a importância de “preservar a segurança interna do Iraque e não permitir que o país desabe, porque teria graves repercussões”.

Esta posição dos países árabes é compartilhada pelo Irã. “Pensamos que o futuro governo iraquiano terá que refletir a vontade da população e que as Nações Unidas devem desempenhar um papel”, afirmou o chefe da diplomacia iraniana Kamal Jarazi.