Iraquianos desafiam violência para votar

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Publicado domingo, 30 de janeiro de 2005 as 11:19, por: cdb

Com sorrisos ocasionais nos rostos, os iraquianos comparecem às urnas neste domingo, desafiando os insurgentes do país, determinados a transformar a votação em um banho de sangue.

Ataques suicidas e de morteiros abalaram o dia de votação, provocando a morte de, pelo menos, 22 pessoas em todo o país. Mas, mesmo assim, milhares de iraquianos ousaram sair às ruas para votar.

Em Falluja, cidade sunita a oeste de Bagdá que até novembro era um reduto de rebeldes, algumas pessoas foram às urnas, ao contrário do previsto.

“Queremos ser como os outros iraquianos. Não queremos ser sempre oposição”, explicou Ahmed Jassim após votar.

Em Baquba, cidade religiosa ao nordeste da capital, uma multidão gritava e batia palmas em um dos locais de votação.

Um dos primeiros a votar foi o presidente Ghazi al-Yawar. Ele depositou seu voto numa urna localizada dentro da Zona Verde, região fortemente vigiada em Bagdá que abriga embaixadas e gabinetes do governo.

Al-Yawar saiu da cabine com um sorriso e um dedo da mão direita manchado de tinta azul para mostrar que votou. “Espero que todos saiam e votem, se Deus quiser”, disse ele.

Na região curda, considerada relativamente segura, havia um fluxo permanente de pessoas dirigindo-se às urnas.

As autoridades iraquianas e norte-americanas implementaram um forte esquema de segurança, com dezenas de milhares de homens armados pelas ruas. Carros de civis não podem circular e as fronteiras terrestres do país, assim como o aeroporto, foram fechadas.

Em Samarra, ao norte de Bagdá, disparos foram ouvidos minutos após a abertura das urnas.

Em Najaf, principal região dos xiitas, centenas de pessoas caminharam tranquilamente aos postos de votação. O anel de segurança formado em torno da cidade, atacado várias vezes anteriormente, era um dos mais rígidos.

“Não temos medo de bombas”, disse o eleitor Souad Salem. Os xiitas, que representam 60 por cento da população iraquiana, devem vencer as eleições após anos de opressão sob o governo de Saddam Hussein.