Iraque tentará salvar mísseis

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003 as 21:59, por: cdb

No domingo, o Iraque publicamente manifestou esperanças que as discussões técnicas com especialistas da ONU possam evitar a destruição de seus mísseis mais potentes de curto alcance. Mas as autoridades do país aparentemente se curvaram ao inevitável, ao minimizarem a importância dessas armas na defesa do país contra uma invasão americana.

A ambígua reação do Iraque à demanda da ONU, apresentada na sexta-feira e que pediu a destruição dos mísseis, veio quando as manobras diplomáticas se intensificavam, diante da proposta de resolução ao Conselho de Segurança que será submetida pelos EUA e Reino Unido. Acredita-se que a proposta peça a autorização para ação militar se o Iraque não se desarmar completamente.

O secretário de Estado Colin L. Powell, visitando Pequim, deveria pressionar a China para que o país não se oponha à nova resolução, que, segundo informações de um diplomata do Conselho de Segurança, deve ser apresentada já na segunda-feira. A França abertamente pediu que o Iraque cumprisse a demanda da ONU para a destruição de mísseis. E a Rússia enviou o ex-primeiro-ministro, Yevgeny Primakov, um velho do amigo presidente iraquiano Saddam Hussein, a Bagdá. A natureza dessa missão não foi revelada.

A China, França e Rússia, que se opuseram à guerra para desarmar o Iraque, são membros permanentes do Conselho de Segurança, o que dá àquelas nações poder de veto sobre as resoluções da ONU. Se o Iraque rejeitasse a demanda para a destruição de seus mísseis Al-Samoud 2 até 01 de março, isso poderia ajudar o governo Bush a garantir apoio a uma nova resolução do Conselho de Segurança que autorize o uso da força.

Na primeira reação pública do Iraque à demanda para a destruição dos mísseis, o general Hussam Muhammad Amin, principal oficial de ligação com os inspetores, afirmou em uma coletiva que Bagdá ainda estava estudando a medida.

“Nós acreditamos que esta questão será resolvida sem a interferência de britânicos e americanos”, ele afirmou. “Eu acredito que nós seremos capazes de resolver esta questão sem a intervenção daquelas intenções maléficas”. Ele indicou que os mísseis não tinham relação com a operação da ONU no Iraque que busca armas de destruição em massa, e que seu governo garante que não existem.

O general afirmou que o Iraque havia proposto discussões sobre os mísseis antes da diretiva da sexta-feira de Hans Blix, chefe dos inspetores, que pediu a destruição dos artefatos, mas que o Iraque ainda não havia recebido uma resposta. Ewen Buchanan, porta-voz para os inspetores de Blix, afirmou que a carta pedindo a destruição das armas e seus componentes era a resposta.

Os diplomatas aqui acreditam que o Iraque seguirá praticamente toda demanda a ser apresentada por Blix, esperando, com isso, conceder ao inspetor as ferramentas para evitar um ataque americano.

A destruição dos mísseis “afetaria nossas capacidades de combate, mas não eliminaria ou afetaria enormemente esse poder”, Amin afirmou. “Este míssil representa apenas um aspecto de nossas capacidades de defesa. Nós temos amplas capacidades”.