Iraque promete maior cooperação com inspetores da ONU

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Publicado segunda-feira, 20 de janeiro de 2003 as 23:22, por: cdb

O general Amer al-Saadi, assessor científico do presidente do Iraque, Saddam Hussein, anunciou nesta segunda-feira que o país concordou em continuar e intensificar sua cooperação com os inspetores de armas das Nações Unidas.

Al-Saadi leu um comunicado conjunto ao final de uma reunião com o chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed ElBaradei, em Bagdad.

Flanqueado pelos dois enviados, Al-Saadi classificou a reunião de “construtiva e muito positiva”, acrescentando ter procurado clarificar várias questões sobre documentos e descobertas.

“Tem sido dado acesso a todos os locais”, disse o general. “Isso continuará”.

Ainda de acordo com Al-Saadi, cidadãos iraquianos seriam encorajados a permitir inspeções em suas propriedades.

Referindo-se a 16 ogivas químicas, vazias, de 122 milímetros, que foram encontradas entre a quinta-feira e o domingo passados, o general disse que o Iraque estava iniciando uma investigação e planeja verificar se existem mais peças desse tipo em outros locais.

Al-Saadi disse também que o Iraque está disposto a discutir sua declaração de 7 de dezembro passado, de 12 mil páginas, que trata de seus programas de armas.

Houve alegações de que existiriam omissões no documento, que foi enviado ao Conselho de Segurança da ONU.

“O Iraque manifestou disposição de responder a questões levantadas em conexão com a declaração”, disse o general.

Ainda na leitura do comunicado, Al-Saadi declarou que “o Iraque concordou em continuar discussões técnicas com a Agência Internacional de Energia Atômica para esclarecer questões relacionadas a tubos de alumínio, alegada importação de urânio e uso de explosivos potentes, bem como outros assuntos de destaque”.

Encontradas mais quatro ogivas
Na noite de domingo, Hans Blix havia declarado que autoridades do Iraque afirmaram ter encontrado mais quatro ogivas químicas, vazias e similares a 12 descobertas na semana passada.

Blix, que chegou no domingo a Bagdad, juntamente com ElBaradei, informou que a questão das ogivas foi abordada em suas conversações na capital iraquiana.

“Eles (os iraquianos) disseram ter ficado surpresos” com a descoberta das ogivas vazias, acrescentou o inspetor-chefe. “Elas (as ogivas) estavam em caixas, jamais abertas – havia dejetos de pássaros sobre elas; mas, é claro, deveriam ter sido declaradas e destruídas”.

A descoberta de mais quatro ogivas – e o potencial para encontrar mais – trouxe à tona uma dúvida, disse Blix: se as ogivas são “remanescentes do passado ou a ponta de um iceberg”.

Em Washington, um porta-voz da Casa Branca, Scott Stanzel, declarou que a descoberta no Iraque “não deveria ser interpretada como uma cooperação genuína em um esforço de desarmamento”.

“As Nações Unidas acreditam que o Iraque deixou de relatar a existência de cerca de 30 mil obuses que poderiam ser carregados com agentes químicos”, disse o porta-voz norte-americano. “Apresentar quatro está muito longe de ser um esforço de boa fé, mas é mais uma prova de que o Iraque continua a ter materiais proibidos”.

“Algum progresso”
Na noite de domingo, pouco depois de sua primeira rodada de conversações com autoridades do Ministério das Relações Exteriores do Iraque, Blix e ElBaradei disseram à imprensa que acreditam ter obtido “algum progresso”.

ElBaradei não entrou em detalhes sobre as conversações e autoridades iraquianas não quiseram comentar o encontro. Outra reunião está marcada para esta segunda-feira.

Blix e ElBaradei apresentarão um relatório sobre as inspeções ao Conselho de Segurança da ONU em 27 de janeiro.

Em sua chegada a Bagdad, os dois inspetores-chefes haviam reiterado que exigiriam de Saddam Hussein que demonstre claramente se tem programas ilícitos de armas ou se já se desarmou, acrescentando que pretendiam mostrar que as inspeções “não são um prelúdio para a guerra, mas uma alternativa à guerra”.

“O momento de nossa