Iraque não tinha armas proibidas, diz relatório oficial

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 6 de outubro de 2004 as 19:25, por: cdb

O Iraque não possuía armas químicas, biológicas ou nucleares quando foi invadido pelos Estados Unidos, em março de 2003, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira.

As conclusões foram apresentadas pelo inspetor-chefe de armas americano no Iraque, Charles Duelfer, diante de um comitê do Senado americano. A avaliação foi realizada por uma equipe de 1,2 mil inspetores.

Segundo o relatório, a capacidade nuclear do Iraque foi praticamente destruída na Guerra do Golfo, em 1991.

O relatório diz, no entanto, que o governo do ex-líder iraquiano Saddam Hussein pretendia infringir as sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e retomar a produção de armas proibidas.

A existência de armas de destruição em massa no Iraque foi uma das razões usadas pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha para justificar a guerra.

O assunto se tornou uma das grandes questões na campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que serão realizadas em novembro.

Defesa da guerra

O veredicto do relatório foi antecipado desde que David Kay, ex-inspetor-chefe no Iraque, renunciou ao cargo em janeiro.

O “vazamento” de um esboço do relatório, no mês passado, também revelou mais detalhes sobre os resultados das buscas.

O senador democrata Carl Levin disse que as informações do relatório anulam os principais argumentos do governo americano para a invasão do Iraque.

“Nós não fomos à guerra devido às futuras intenções de Saddam em obter armas de destruição em massa”, disse Levin.

Antes da divulgação do relatório, o presidente americano, George W. Bush, novamente defendeu a invasão do Iraque e disse que era um “risco que os Estados Unidos não poderiam correr”.

Reação

Em campanha na Pensilvânia, Bush disse que depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos tiveram de procurar pelas fontes de armas de destruição em massa disponíveis aos terroristas.

“Nós tivemos de procurar em todos os lugares em que os terroristas poderiam conseguir essas armas”, disse o presidente. “E um regime se sobressaiu. A ditadura de Saddam Hussein.”

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que o relatório dos inspetores americanos mostra que Saddam realmente tinha a intenção de desenvolver armas proibidas.

“Eu aceito o relatório porque acho que ele nos mostra que a situação era mais complicada do que as pessoas pensavam”, disse Blair durante viagem à Etiópia.

“Também ficou claro que havia toda a intenção, por parte de Saddam, em desenvolver armas e que ele não tinha qualquer intenção de obedecer as resoluções da ONU.”

Mesmo após a divulgação do relatório, o grupo de inspetores deve continuar traduzindo e avaliando 10 mil caixas de documentos apreendidos no Iraque.