Iraque entrega relatório sobre armas à ONU

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Publicado domingo, 8 de dezembro de 2002 as 00:04, por: cdb

Autoridades iraquianas entregaram aos inspetores das Nações Unidas, neste sábado, um volumoso relatório sobre seu programa bélico, detalhando a atividade do país nas áreas de armas químicas, biológicas, nucleares e convencionais.

O relatório foi entregue um dia antes do prazo final determinado pela ONU. Enquanto os inspetores recebiam o material, o presidente Saddam Hussein, em pronunciamento lido por um apresentador na televisão iraquiana, desculpou-se por ter invadido o Kuwait em 1990.

Saddam também conclamou os kuwaitianos a não apoiar os Estados Unidos em uma eventual campanha militar contra o Iraque.

Horas antes do encontro com os inspetores da ONU, autoridades iraquianas mostraram a jornalistas a declaração sobre as armas de destruição em massa do país.

O correspondente da CNN Nic Robertson foi um dos jornalistas que viram os documentos na Direção Nacional de Monitoração, em Bagdad.

“Fomos levados a uma sala grande, onde havia um grupo de cientistas”, contou Robertson. “Na mesa em frente a eles havia dezenas de pilhas de documentos diferentes. Nenhum parecia ter menos do que 50 páginas”.

“Alguns estavam presos com espirais”, acrescentou. “Também havia 12 CD-ROMs”.

Segundo Robertson, os documentos foram separados por atividades – nuclear, química, biológica e mísseis – e os títulos estavam em inglês: “Declarações atuais, acuradas, totais e completas”.

Os jornalistas foram levados à sala em grupos de seis e não tiveram permissão para ler os documentos, apenas vê-los.

Para cumprir a resolução aprovada no mês passado pelo Conselho de Segurança da ONU, o Iraque tinha que apresentar “uma declaração atualizada, acurada, total e completa” de quaisquer programas de armas de destruição em massa.

O governo de Bagdad revelou que a declaração oficial tem mais de 11.000 páginas, assim distribuídas: 1.334 na área das armas biológicas, 1.823 sobre químicas e 6.887 sobre mísseis, além de um número não especificado sobre armamentos nucleares.

Dados o volume e a complexidade dos documentos, assim como o fato de que parte terá que ser traduzida do árabe, autoridades da ONU e dos Estados Unidos disseram que serão necessários vários dias, ou até semanas, para analisar todas as informações.

Em seu pronunciamento seminal de rádio, o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que a análise dos documentos será profunda.

“Vamos julgar a honestidade e a totalidade somente após termos examinado cuidadosamente (o relatório) e isso levará algum tempo”, disse.

“A declaração tem que ser crível, acurada e completa ou então o ditador iraquiano terá demonstrado mais uma vez ao mundo que escolheu não mudar seu comportamento”, finalizou.

O Iraque insistiu que os documentos mostrarão, de forma conclusiva, que o país não possui armas de destruição em massa.

“Estamos dizendo outra vez mais que não temos mais armas de destruição, que tudo foi destruído e que não temos intenção de produzi-las novamente”, declarou o embaixador do país na ONU, Mohammed Al-Douri.

Em uma notícia surpreendente, a ONU anunciou na sexta-feira que o relatório iraquiano não será entregue ao Conselho de Segurança antes que os inspetores o examinem e, possivelmente, até editem o conteúdo.