Iraque ameaça interromper destruição de armas se EUA atacarem

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Publicado segunda-feira, 3 de março de 2003 as 20:59, por: cdb

Um oficial sênior do governo alertou no último domingo que o Iraque interromperia a destruição de seus mísseis de curto alcance se os EUA tentarem contornar a decisão do Conselho de Segurança em atacar o país.

O oficial, general Amin al-Saadi, o principal elo do presidente Saddam Hussein com os inspetores de armas da ONU, também disse acreditar que o Iraque e os inspetores estão estreitando as diferenças em um número de questões sobre o desaparecimento dos estoques de armas químicas e biológicas, que o Iraque disse ter destruído há mais de uma década.

Por exemplo, as recentes escavações no campo de tiros Aziziyeh, a sul de Bagdá, mostraram remanescentes de aproximadamente 157 bombas R-400, que continham o antraz destruído pelo país no verão de 1991.

Pelo fato de oito cápsulas permanecerem intactas, afirmou em uma coletiva de imprensa, os inspetores de armas devem testá-las em busca do agente biológico.

O general afirmou que outros seis mísseis Al-Samoud foram explodidos sob escavadoras no último domingo, aumentando para dez o número de mísseis destruídos desde sábado, o prazo final da ONU para iniciar o processo.

Ele afirmou que a razão pela qual o governo não revelou fotografias dos mísseis destruídos foi que a destruição seria dolorosa para todos os iraquianos. Mas a medida foi considerada válida considerando os obstáculos, afirmou.

“Minha única tarefa é remover todas as desculpas para propagar a guerra”, afirmou o general. “Se a guerra acontecer, não vai ser porque o Iraque não se desarmou”.

A destruição dos mísseis até a próxima sexta-feira, quando Hans Blix, chefe das inspeções da ONU, deve se reportar ao Conselho de Segurança, iria sustentar os argumentos daqueles países que querem dar mais tempo aos inspetores.

Saadi disse que seu país poderia destruir cerca de seis mísseis por dia, dependendo das dificuldades do descarregamento de combustível ou seu desmantelamento. O Iraque teria cem mísseis e componentes para a construção de vinte outros.

Mas o general afirmou que o Iraque poderia reverter sua decisão para destruir as armas, dizendo que se os EUA “não querem agir da forma legal, por que então devemos continuar?”.