Iraque acusa Bush de crimes de guerra

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Publicado sábado, 29 de março de 2003 as 10:11, por: cdb

Nas últimas 24 horas, 140 pessoas morreram no Iraque, informou o porta-voz oficial iraquiano e ministro da Informação, Mohamed Said al Sahaf. Ele garantiu que o seu país acusará, na ONU, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de praticar crimes de guerra.

– Os bombardeios da coligação anglo-americana, na noite da última sexta-feira, foram responsáveis por 68 mortos e 107 feridos, apenas em Bagdá – disse o ministro iraquiano da Informação.

Na cidade de Najaf foram mortas 35 pessoas e outras 122 ficaram feridas. Na conferência de imprensa diária, Al Sahaf explicou que especialistas em direito internacional árabes, europeus e latino-americanos preparam um processo contra George W. Bush.

Al Sahaf informou ainda que as tropas aliadas atacaram com bombas de fragmentação uma ambulância que transportava uma pessoa ferida, matando tanto o doente como o médico que o assistia e o condutor do veículo.

Front desorganizado

Algumas unidades de combate dos Estados Unidos começam a reduzir o avanço rumo a Bagdá, esperando que as linhas suprimentos e comunicações sejam reforçadas, embora a coalizão anglo-americana tenha negado que uma ordem geral teria mandado as tropas pararem e esperar até que se reorganizassem. A emissora de TV Al Jazeera mostrou, na manhã deste sábado (horário de Brasília) a foto de um helicóptero norte-americano, capturado por tropas iraquianas, após ser forçado a um pouso de emergência. Não houve relato de nenhum prisioneiro capturado nesta operação.

– É apenas um caso de moldar o campo de batalha, equipando nossas tropas e colocando-as nos lugares certos para a próxima fase da campanha – disse o capitão Al Lockwood, um porta-voz das forças da coalizão no Golfo Pérsico.

Segundo as autoridades anglo-americanas, os ataques constantes contra as linhas de suprimentos, desfechados por paramilitares iraquianos, não desviaram os preparativos para o ataque total contra as divisões da Guarda Republicana, nos arredores de Bagdá. Mas Lockwood reconheceu que a atividade paramilitar agressiva não tinha sido prevista pelos estrategistas americanos e britânicos.

– O que encontramos é, sim, um pouco diferente: forças paramilitares que não estavam no perfil da simulação. Temos planos de contingência e eles foram postos em andamento para lidar com essas forças – disse Lockwood.