Irã propõe eleições no Iraque

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Publicado terça-feira, 4 de março de 2003 as 17:01, por: cdb

O Irã pediu nesta terça-feira a realização de eleições supervisionadas pela ONU no vizinho Iraque, e exortou a dividida oposição iraquiana a se reconciliar com o presidente Saddam Hussein como parte de uma plano visando evitar uma guerra liderada pelos EUA contra Bagdá. O ministro do Exterior iraniano, Kamal Kharrazi, anunciou o plano em Teerã, divulgou a oficial Agência de Notícias da República Islâmica (sigla em inglês, IRNA).

“Queremos que um referendo seja realizado no Iraque e que a oposição iraquiana se reconcilie com o atual regime daquele país sob a supervisão das Nações Unidas”, disse Kharrazi. “Acreditamos tratar-se de uma ação legítima, que o povo iraquiano eleja seus verdadeiros representantes num referendo supervisionado pelas Nações Unidas”, disse Kharrazi, segundo a IRNA. O ministro do Exterior acrescentou, entretanto, que o Irã não tem intenção de interferir nos assuntos internos do Iraque.

“Eles deviam eles mesmos decidir seu futuro e formar um governo de amplas bases no qual todas as minorias, assim como os grupos étnicos e religiosos, teriam participação”, explicou. O plano iraniano foi rapidamente rejeitado por um grupo oposicionista-chave baseado no Irã, e outros exilados iraquianos disseram não acreditar ser possível dividir o poder ou se reconciliar com Saddam.

O plano é semelhante a um proposto recentemente pelo líder espiritual do grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, e segue-se a uma iniciativa feita pelos Emirados Árabes Unidos que pede que Saddam aceite se exilar a fim de evitar um ataque americano.

A relações entre Irã e Iraque são frias desde a guerra de 1980 a 1988 entre os dois países, e Teerã apóia grupos oposicionistas iraquianos que buscam a derrubada de Saddam. O Irã, entretanto, tem dito repetidamente que se opõe a um ataque unilateral dos EUA contra Bagdá e que qualquer ação militar deve ser decidida pela ONU. Líderes iranianos temem que um ataque sem o respaldo da ONU daria a Washington controle sobre o Iraque, deixando o Irã cercado por regimes pró-EUA.