Irã nega estar interferindo na política iraquiana

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Publicado quinta-feira, 24 de abril de 2003 as 12:51, por: cdb

O Irã rejeitou nesta quinta-feira sugestões dos Estados Unidos de que estivesse interferindo no cenário político do Iraque de forma a promover o papel da maioria xiita, e defendeu a participação de todas as etnias iraquianas no futuro governo do país.

Washington advertiu Teerã na quarta-feira para ficar fora da política iraquiana em meio a preocupações de que os xiitas iranianos estivessem incentivando a criação de uma república islâmica no país vizinho.

Num sinal da pressão norte-americana, o Comando Central dos Estados Unidos, no Catar, anunciou que fuzileiros navais haviam iniciado patrulhas, essa semana, em partes da fronteira com o Irã a fim de “manter a integridade territorial iraquiana”.

Em Teerã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Kamal Kharrazi, declarou em entrevista coletiva: “Naturalmente, a maioria do Iraque é xiita, mas nós não estamos insistindo num papel para eles”.

“Nós consideramos que xiitas, sunitas, turcos e árabes são iguais e todos devem ser representados num Iraque democrático”, acrescentou.

Os líderes religiosos iranianos, usando sua influência sobre a comunidade xiita do Iraque, haviam aconselhado os iraquianos a “renunciar à violência, pensar na unidade do país, e agir para formar um governo livre e democrático”, disse Kharrazi.

“Isso não é interferência”, argumentou o ministro, acrescentando que um novo governo iraquiano, interino ou permanente, deveria ser supervisionado pelas Nações Unidas.

O Irã era inimigo do regime de Saddam Hussein, que usou armas químicas contra tropas iranianas na guerra de 1980 a 1988, mas também têm sérias divergências com os Estados Unidos desde 1979, quando ocorreu a revolução islâmica que derrubou o regime do xá Reza Pahlevi.