Irã e Rússia encaram EI como ameaça direta, afirma diplomata

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Publicado quinta-feira, 5 de novembro de 2015 as 17:16, por: cdb

Por Marilza de Melo Foucher – de Paris

Geógrafo, ex-embaixador, titular de uma cátedra em Geopolítica Aplicada no Collège d’Études Mondiales FSH, Paris, Michel Foucher é também membro do Conselho Científico da Fundação Robert Schuman, e do Conselho da Internacional Academia Diplomática e do Observatório de saída da violência (FMSH). Em entrevista exclusiva à correspondente do Correio do Brasil, em Paris, Marilza de Melo Foucher, o catedrático confirma que o Irã é, atualmente, a maior potência não árabe no Oriente Médio e a Rússia vê o Estado Islâmico e demais grupos extremistas como uma ameaça direta ao país. Esta, segundo o diplomata, é uma das principais razões para a aliança em favor do resgate da Síria, em meio aos ataques dos grupos jihadistas.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

— O cenário global é nebuloso, a hierarquia das potências não é a mesma… O mundo está em processo de multi-polarização. A geopolítica se torna mais complexa em um mundo que caminha para se tornar multipolar?

"O novo elemento é, naturalmente, a intervenção militar da Rússia, donde não se sabe se ela pretende consolidar o regime de Damasco", afirma Fouchet
“O novo elemento é, naturalmente, a intervenção militar da Rússia”, afirma Fouchet

— Eu não estou tão convencido de que a paisagem global seja assim tão fosca como se aparenta, exceto em áreas bastante limitadas, de crise aberta, por exemplo. Nem tampouco, eu penso que a multi-polarização já esteja em vigor, a não ser no campo econômico. No meu entender somente a China que tem uma projeção maior, seja no domínio econômico (devido às suas capacidades de investimentos), no financeiro (com o projeto de internacionalização da sua moeda, o renminbi) seja no tecnológico (energias renováveis, nuclear, transportes de grande rapidez, informática de ponta). Todavia, ela não assume a responsabilidade global na gestão de crises, mesmo em áreas onde tem interesses claros (Oriente Médio, África). Ela se afirma geopoliticamente de modo até agora limitado, ou seja, dentro de sua esfera de influência regional no Leste Asiático, todavia, com certas dificuldades, tendo em vista que ela não tem ainda os meios militares capazes de afrouxar o nó da presença naval dos EUA no Pacífico Ocidental, em razão da inquietude que isto pode provocar aos países vizinhos. A Índia, outro exemplo, permanece provincial, concentrada em sua agenda doméstica. O Irã passou a ser uma potência regional, hoje ele é o primeiro ator não-árabe no mundo árabe contestado pela rival Arábia. Ninguém vê despontar um líder global por enquanto, na África, exceto Marrocos e Argélia em rivalidade com a África Ocidental; a Nigéria também está envolvida em suas tensões internas, assim como a África do Sul e a Etiópia. E no hemisfério americano, o peso econômico do Brasil limita os esforços de cooperação com os países ibero-americanos.

Basicamente, o único Estado que tenta recuperar o seu papel na cena internacional à sua altura, distribuindo cartas, por vezes marcadas, é a Rússia. Como ela não dispõe de todas as ferramentas da modernidade enquanto potência, principalmente se comparada com a China – moeda internacional, atratividade, habilidade em Soft Power, dinamismo econômico, demografia, diásporas. O regime do Kremlin usa do que ele dispõe de mais clássico à sua disposição: as capacidades diplomáticas e militares (projetado na Ucrânia e Síria). Esse retorno à cena internacional pode ser útil na resolução da crise no Médio Oriente, a Rússia continua empenhada no quadro multilateral, apesar das práticas que podem se afastar, por vezes, do respeito ao direito internacional.

A volta à cena internacional é realizada no momento em que as políticas ocidentais foram vistas como desastrosas no Iraque desde 2003, na Líbia desde 2011 e com hesitações atualmente. Entretanto, é verdade que o presidente (Barack) Obama foi eleito com um mandato para acabar com expedições militares e nation building at home e resolver questões relativas ao seguro social, redução do desemprego e da desigualdade.

A complexidade vem do fato de que as configurações são instáveis: Washington e Moscou devem cooperar na Síria, ao mesmo tempo em que divergem na questão da Ucrânia; Os europeus sofrem o efeito de dispositivos extraterritoriais dos Estados Unidos (sanções contra bancos) mas ao mesmo tempo negociam a abertura recíproca dos mercados.

O que talvez tenha completado o ciclo, onde europeus e norte-americanos pretendiam ditar ao mundo a implementação de um programa de democratização, juntamente com um “direito do homismo” (apelido dado para constatar a fase de descrédito nos direitos humanos). Para resumir: as verdades universais foram impostas, sem levar em conta os contextos históricos. Este intervencionismo foi amplificado pela pressão midiática que sempre mostra situações binárias, isto é insuportável para os outros.

Nós nos acomodamos com um mundo onde os grandes atores estarão no mesmo tempo e segundo suas agendas dispostos a cooperar ou de se rivalizar sobre certos assuntos: a única forma que eu diria num jogo de palavras seria de co-opetition.

– Europa parece ter dificuldade para constituir-se como um forte polo dentro desta nova conjuntura geopolítica… Como você analisa este processo?

– A Europa quando se constitui em União Europeia é uma história de sucesso pouco conhecida ou subestimada no exterior e, às vezes internamente, vista com descrédito. Ela representa um agrupamento de países mais integrados do mundo; sua moeda tornou-se em 13 anos a segunda maior moeda de reserva mundial (28% das reservas do Banco Central da China, 40% no da Rússia); é o maior mercado e a maior economia do mundo, além disso, é o mais vasto conjunto democrático existente no mundo.

Mas, por razões históricas, e, por causa da diversidade das nações que a compõem, os europeus, mais uma vez parecem se importar mais com o seu posicionamento com relação ao passado do que com o presente, pouco interessado em se situar dentro deste espaço regional e global. Dado sua construção, a União voltou as costas aos conflitos e relações de forças. Ela fez de sua própria construção o objetivo geopolítico central (na busca da unidade, e de “falar a uma só voz”); ela construiu uma ordem regional estável, no entanto, sem querer e nem poder se interessar em agir como ator de uma ordem internacional, começando pelas suas margens sul e leste.

As circunstâncias políticas que ocorreram em sua vizinhança – crise entre a Ucrânia e a Rússia, efeitos de migração devido às crises e guerras do Oriente Próximo, as ameaças reais dos jihadistas – obrigam hoje os Estados-Membros a agir coletivamente em áreas onde eles não estavam preparados para fazê-lo. Gerenciar as crises de migração estruturais, sem se envolver diplomaticamente para encerrar o conflito não é mais suficiente. E fazê-lo somente em termos de afirmações de valores, sem validar os interesses, isto também não é suficiente.

Esta é minha opinião, identificando-se como o centro do poder, em um mundo policêntrico, a União Europeia ao desenvolver seu próprio pensamento geopolítico, e seus meios de ação fora de seu espaço, ela será capaz de influenciar nos assuntos mundiais.

– É possível aprender a se passar da certeza e propor novos caminhos? A Geopolítica exige abordagens históricas, políticas, sociológicas, culturais, jurídicos ou econômicos, é dentro desta complementaridade que a geopolítica evoluiu…

– Como as seguradoras, os diplomatas agem como agentes redutores de incerteza. A vida internacional é uma conversa permanente entre os Estados, o que se chama de diplomacia. Minha concepção e minha experiência é que a Geopolítica somente faz sentido se as ferramentas de análise que permitem a produção estiverem a serviço da ação. É por esta razão que eu intitulei minha cátedra no Collège d’Études Mondiales de Cátedra de Geopolítica Aplicada.

Para ser eficaz, o diagnóstico deve especificar os detalhes de uma situação – favorável para incentivar ou afastar a crítica a conjurar – no tempo (nunca esquecer o contexto e as razões distantes e próximas de uma situação) e no espaço (os atores internos e externos, os desafios supostos). Por consequência, todos os fatores cruzados mencionados na questão devem ser considerados com a devida ponderação. No atual período marcado por uma simplificação à base econômica de atribuições dos estados e atores, a tendência é esquecer os fatos de longa duração (religiões, ideologias e crenças), e também não dar a devida atenção aos vetores mais simbólicos de ação (prestígio, reputação, imagem externa,…). Assim, julga-se que o interesse russo ou norte-americano no Ártico está ligado à exploração de petróleo, enquanto prestígio neste caso, a estratégia na outra conta mais.

Se aceitarmos o fato de que as dinâmicas trabalhadas nem sempre incluem todas as explicações ou é motivado por questões de ordem econômica, coloca-se então numa posição melhor para interpretar o que subsiste com o “pensar o evento”.

– Neste contexto, como explicar a situação geopolítica do Oriente e do conflito entre sunitas e xiitas?

– Em 30 de dezembro de 2006, o ditador Saddam Hussein foi enforcado, condenado à morte por crimes contra a humanidade devido à morte de 148 pessoas xiitas de pequenas comunidades, em Dujail em represália depois de um ataque fracassado contra o trem presidencial em 1982. Durante o seu julgamento, em seguida, apenas antes de sua morte, ele havia denunciado os inimigos do Iraque: “magos persas” e norte-americanos. A data escolhida pelo primeiro-ministro xiita Nouri al-Maliki foi o primeiro dia do Eid Al Adha, a maior festa islâmica que os sunitas comemoram um dia antes dos xiitas. A agência de notícias oficial da Arábia Saudita e na maioria das mídias do Magrebe e do Machrek reprovaram a data da escolha, ela foi interpretada não como a execução de um ditador, mas sim de um sunita. Quanto à Rússia, um especialista parlamentar anunciou que uma nova espiral de violência e desestabilização no Iraque e na região do Golfo, era previsível.

Doze anos após a desastrosa expedição militar dos Estados Unidos no Iraque, o Irã dos aiatolás e dos Pasdaran tornou-se a principal potência não-árabe no mundo árabe. Sua influência se estende desde o Mediterrâneo até o Golfo “persa” no Iraque, Líbano, Síria, Iraque, Bahrein e Iêmen pela intermediação das comunidades xiitas e de confissões derivadas (alawitas na Síria).

Em longo prazo, uma vingança xiita está em marcha, depois de séculos de marginalização deste partido (xiita) em disputa com os sucessores do Profeta que o julgam herético. Os xiitas foram todos colocados em situação precária de minorias por sucessivas dinastias sunitas, em todos os lugares, exceto no Irã desde a imposição do duodécimo xiísmo (doze imams) como a religião oficial do Irã pela dinastia Safávida (1501-1722) Ela conseguiu converter um império até então sunita a fim de construir um polo de poder reconhecido face ao califado sunita dos otomanos. Esta conversão em massa foi supervisionada com a ajuda de estudiosos e mestres doutores da lei oriundos de Bahrein, Iraque e Síria, que logo formaram um clero organizado e hierárquico, com diferentes prerrogativas jurídicas e econômicas dando-lhe os meios para a independência em relação ao governo central. O Ayatollah Khomeini e seu sucessor, Khamenei, situam-se na continuidade de uma escola racionalista de pensadores bouyide de Bagdá, justificando o poder carismático do jurista teólogo (al-Faqih waldya). A história política do Irã é marcada, durante séculos, por este equilíbrio instável entre religiosos e soberanos, hoje o guia Khamenei e o presidente Rohani, com uma série de instâncias asseguram a dispersão do poder. Vale relembrar que, em centros religiosos e filosóficos de estudos de cidades iranianas (Isfahan, Shiraz, Mashad), o X século foi um século xiita: Os príncipes iranianos Buaihida reinavam sobre Bagdá e controlavam os califas de Abbasid; Zaydi dominavam no Iêmen, os 12 duodécimos presentes na Síria e no Iraque. Os Carmates Ismailis no Golfo Pérsico e no norte da Arábia Saudita, os Alevitas na Turquia, Alauítas na Síria.

Em suma, os peritos concordam em apontar a responsabilidade dos ideólogos norte-americanos ignorantes que impuseram uma leitura excessivamente confessional do Iraque, especialmente ao afirmar que o sistema eleitoral só poderia favorecer os grupos mais numerosos dos partidos xiitas, relegando que o poder do ex-baathista e sunita ao status recusado de minoria. Daí a tentativa de formar um Sunnistan iraquiano nas quatro províncias centrais, o que beneficiou Daech e cuja tática consiste em exacerbar as linhas político-religiosa pela multiplicação de ataques mortais contra as mesquitas xiitas no Iraque, assim que no nordeste, também xiita, da Arábia Saudita. Na Síria, um poder Alawite minoritário desde 1972 continua a reunir as minorias não-sunitas. No Bahrein, a intervenção militar de Riad esmagou a rebelião da maioria xiita contra a dinastia sunita no poder. Em tempos de crises graves, a retirada sobre uma comunidade oferece apenas uma aparência de segurança. Por trás desses confrontos confessionais, se leem as estratégias de influência dos dois grandes Estados do Oriente, o Irã e a Arábia Saudita. Mas podemos considerar que os Estados formados a partir do Tratado de San Remo (1920, que corrige o acordo Sykes-Picot de 1916) foram re-agrupamentos impostos que se mantém sob regimes autoritários. Entre millets¹, as comunidades do Império Otomano e do Califado e as tentativas englobadas do tipo de califa de Oumar, império ou nação árabe, um Estado-nação não poderia ser viável mesmo se o sentimento nacional existe.

Alguns concluem que se deve reformular as fronteiras deste Oriente já balkanizado. Podemos estimar, inversamente, que a questão dos traçados é de menor importância do que o conteúdo político. Os sistemas de Estados do tipo confederal (Síria, Iraque) poderiam permitir a devolução do poder, se houvesse uma perequação fiscal (em geral oriunda do petróleo). Mas sem conseguir isso, alguns atores podem ser tentados pelo jogo perigoso da partição. Alguns Estados parecem manter dois ferros no fogo, ou seja, ter na gaveta dois projetos ao mesmo tempo e, por vezes, evocam um cenário tipo Iugoslavo. Pode-se citar como precedente o caso do Curdistão iraquiano, embora dividido entre Ancara e Teerã, mas o partido principal, o KDP Barzani negocia contratos de petróleo ignorando Bagdá. Israel se beneficia e tira proveito da situação e não se opõe a um Curdistão independente que possa impedir as comunicações terrestres entre o Irã aos seus parceiros na Síria e no Líbano, o Hezbollah em primeiro lugar.

Desde 2014, eu havia feito uma comparação dos conflitos imbricados em múltiplas escalas no Médio Oriente aos da Guerra dos 30 Anos na Europa. A partir de 1618-1648, os conflitos entre católicos e protestantes se combinavam às lutas entre príncipes alemães e a instrumentalização de todas as grandes potências da época, a França, a Suécia e da Casa de Habsburgo em primeiro lugar, com um saldo de mais 3 milhões de pessoas em uma população de 17 milhões na Alemanha e na Europa Central. Jamais uma comparação não fará oficio de prova. Todavia, quem sabe não seria interessante pensar, em algum momento, em um novo tratado inspirado por aqueles de Westphalia, não para alterar as fronteiras, mas para estabelecer um novo equilíbrio entre zonas regionais de influência e novos modos de organização interna dos estados? E, em tal cenário, um acordo entre Irã e Arábia Saudita seria um pré-requisito absoluto em torno de um novo equilíbrio das potências regionais efetivas, juntamente com soluções internas políticas para o conflito em cada Estado (regimes confederais e justiça de transição), aceito pelas outras potências regionais (Turquia e Israel) e garantidos pelas potências do Conselho de Segurança, cuja influência positiva sobre os conflitos e as possíveis regulamentações é realmente muito limitado.

Nós medimos a magnitude quase desesperadora da tarefa. Mas, por que esta parte do mundo, também – mas não mais dividida que o século XVII na Europa – seria o único que não pudesse articular um grande acordo entre os Estados orientais, onde os próprios atores decidissem conjuntamente?

O novo elemento é, naturalmente, a intervenção militar da Rússia, donde não se sabe se ela pretende consolidar o regime de Damasco, enfraquecendo seus oponentes, especialmente aqueles (Exército Sírio Livre) com os quais seria possível almejar uma negociação política ou promover uma solução política muito mais abrangente. A Síria sempre representou um trunfo para a Rússia no Oriente, na verdade, o único fato após a ruptura com o Egito de Annuar Sadat e o fim da relação especial com o Iraque Saddam Hussein. Visto de Moscou, o Oriente árabe é um “estrangeiro próximo” e uma ameaça por causa do grande número de jihadistas russos envolvidos tanto na frente Daech Al Nosra (4 mil de acordo com o presidente Vladimir Putin). É muito cedo para medir o efeito da intervenção militar russa e o único compromisso de um processo de negociação entre os Estados que intervém na Síria e as diferentes forças internas em confrontação permitiriam de perceber uma saída.

Nota: (¹) A palavra millet significava, sob o Império Otomano, uma comunidade religiosa legalmente protegida. O termo também é usado para se referir a minorias (judeus e cristãos) que têm um estatuto inferior (dhimmis, sujeito a impostos específicos). O termo turco vem de uma palavra árabe milla, comunidade religiosa, ou mellah (que também significa o bairro judeu). No turco moderno Milliyet significa nação.

Publicações recentes de Michel Foucher 

Etat de l’Union 2015, rapport Schuman sur l’Europe, sous la direction de Thierry Chopin et Michel Foucher, Lignes de repères et Springer (Berlin, pour l’édition en anglais) (19 mars 2015)

L’Arctique : la nouvelle frontière, sous la direction de Michel Foucher, 2014, CNRS Editions

Frontières africaines, pour en finir avec un mythe, CNRS Editions, 2014

Atlas de l’influence française au XXIème siècle, sous la direction de Michel Foucher, Editions Robert Laffont et Institut français, octobre 2013

La bataille des cartes, analyse critique des visions du monde, 2ème édition F. Bourin, 2011

En anglais: The battle of maps, Critical analysis of the visions of the world, Itunes/Ipad, 2013

L’obsession des frontières, Perrin Tempus, 3ème édition, 2012

Les nouveaux (dés)équilibres mondiaux, La Documentation française, 2009

L’Europe et l’avenir du monde, éditions Odile Jacob, 2009

Préface de Des Murs entre les hommes, d’Alexandra Novoseloff et Franck Neisse, La Documentation française, octobre 2015

Préface de Atlas des guerres et des conflits, un tour du monde géopolitique, d’Amaël Cataruzza, Autrement, 2014

Préface de Atlas géopolitique des Balkans, Amaël Cataruzza, Autrement, 2012

A paraître, chapitre sur la négociation diplomatique dans Les négociateurs, sous la dir. de Paul Dahan, CNRS Editions, 2015

Seu ultimo livro foi publicado no Brasil – Obsessão por Fronteiras, Radical livros, 2012

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil em Paris.