IRA aceita desarmamento se acordo de paz for implementado

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Publicado quarta-feira, 7 de maio de 2003 as 11:21, por: cdb

O IRA (Exército Republicano Irlandês) prometeu se desarmar, caso o acordo para a paz na Irlanda do Norte seja implementado integralmente.

A organização divulgou duas declarações na noite de terça-feira. Uma versão corresponde ao documento que foi entregue ao governo inglês e da Irlanda do Norte há três semanas e a outra relata a atual posição do IRA.

O líder do Sinn Fein (braço político do IRA), Gerry Adams, deu sua interpretação sobre a primeira declaração divulgada pelo IRA, que afirmou que a leitura feita por Adams estava correta.

Segundo Adams, o IRA não vai colocar o acordo de paz para o país em risco.

Gerry Adams deve dar uma entrevista sobre o assunto na tarde desta quarta-feira, em Londres.

O líder unionista David Trimble disse que a divulgação das declarações do IRA sobre suas futuras intenções mostrava que o movimento não estava fazendo o suficiente para se desarmar.

Apesar de semanas de negociações intensas entre os governos britânico, irlandês e partidos políticos envolvidos, o acordo de paz está parado, por causa do impasse sobre o problemas relacionados a atividades paramilitares.

Na semana passada, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que as eleições para o Congresso da Irlanda do Norte não seriam realizadas porque o IRA tinha se recusado a responder perguntas sobre suas futuras intenções.

O porta-voz do governo britânico disse que Adams respondeu duas das três questões colocadas pelo primeiro-ministro Tony Blair aos líderes republicanos da Irlanda do Norte, na última quarta-feira.

As perguntas eram se o IRA iria acabar com os chamados
“espancamentos políticos” e com trabalhos de inteligência; se iria desarmar-se completamente e se o cumprimento por todas as partes que assinaram o acordo de paz da Sexta-feira Santa, em 1998, significaria para o IRA o fim total do conflito.

O ministro-adjunto para a Irlanda do Norte, Paul Murphy, disse que ainda havia dúvidas sobre a intenção do IRA de encerrar de maneira imediata e definitiva suas atividades paramilitares.

Murphy disse que não foi possível resolver o impasse durante a campanha eleitoral e, por isso, a votação na Irlanda do Norte será adiada até o final do ano.