Investimentos estrangeiros vive reacomodação no país, diz Sobeet

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 14:57, por: cdb

O investimento direto estrangeiro no Brasil pode estar passando por um período de reacomodação no que se refere ao tipo de atividade em que os recursos são empregados.

Entre janeiro de 2001 e o primeiro mês deste ano, 57,9% do fluxo acumulado desses investimentos foram direcionados para o setor terciário (serviços). No mesmo período, a indústria de transformação respondeu por 36,8% dos investimentos.

Em 2000, a diferença entre esses dois setores foi muito maior. Naquele ano, os serviços detinham 64% do estoque de investimentos diretos, contra 33,7% da indústria. Os dados constam de estudo divulgado esta quarta pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalizalização Econômica (Sobeet).

Segundo o economista da entidade Fernando Ribeiro, o maior avanço dos investimentos diretos em serviços ocorreu nos últimos anos, principalmente devido ao processo de privatizações. Em 1995, por exemplo, os investimentos diretos estrangeiros na indústria compreendiam 66,9% do estoque desses recursos, contra 30,9% dos serviços.

Segundo Ribeiro, está se chegando, atualmente, a um maior equilíbrio entre os investimentos nesses dois setores porque, além de não haver mais grandes privatizações à vista, o dólar valorizado favorece as exportações e, conseqüentemente, o aporte de recursos na indústria.

O relatório da Sobeet – elaborado a partir de dados do Banco Central – mostra ainda que a taxa de produtividade do capital das empresas com participação estrangeira caiu de 67,2% em 1995 para 46,4% em 2000. A perda foi causada principalmente pela redução da produtividade no setor de serviços (de 47% para 29,7% no mesmo período).

Também a rentabilidade das empresas com capital externo recuou: de uma taxa positiva de 5,5% em 1995 para uma queda de 2% em 2000. O desempenho do setor terciário, novamente, teve importante peso no resultado geral, segundo a Sobeet. Em 1995, a rentabilidade do setor foi positiva em 3,3%. Já em 2000, a taxa foi negativa em 6,5%.

Segundo a Sobeet, uma das principais causas para a perda de produtividade e rentabilidade no setor de serviços deve-se aos problemas em segmentos como energia e telefonia, causados, em especial, devido às dificuldades de regulamentação nesses serviços.