Investigadores avaliam papel de outro possível seqüestrador do 11/9

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Publicado segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003 as 18:28, por: cdb

Nos dias que seguiram os ataques de 11 de setembro, os investigadores chegaram à conclusão de que Mohamed Atta era o líder de um grupo de recrutas, que ele e dois desses recrutas planejaram os ataques durante sua estadia em Hamburgo e pilotaram três dos quatro aviões seqüestrados.

Mas apesar de Atta ter sido considerado o organizador da célula local, investigadores alemães e americanos passaram a reconhecer a importância de outro estudante de Hamburgo, Ramzi Binalshibh, que se tornou o mais provável canal entre a célula de Hamburgo e a liderança da Al-Qaeda no Afeganistão.

Binalshibh, um iemenita de 29 anos, tentou entrar nos EUA diversas vezes, dizem investigadores, mas nunca conseguiu um visto. Ele fugiu da Alemanha antes dos ataques e foi preso exatamente um ano depois pela polícia paquistanesa em Karachi. Ele agora está sob custódia americana em um local secreto.

“Do grupo de Hamburgo, Ramzi Binalshibh tinha os mais fortes contatos com a Al-Qaeda e com os outros sauditas dos aviões seqüestrados”, afirmou um oficial de inteligência alemão, envolvido na investigação do planejamento dos ataques. “Ele era o emissário entre a Al-Qaeda e a célula de Hamburgo”.

Os investigadores americanos concordam com essa avaliação.

“As evidências nos forçaram a reavaliar os papéis dos conspiradores, e o nome de Binalshibh surgiu de maneira muito forte como uma pessoa importante”, afirmou um oficial de inteligência de Washington. “Se ele tentou se inscrever em uma escola de vôo, mas não conseguiu, ele poderia estar denominado a desenvolver o papel de Atta”.

Os investigadores estão baseando sua nova análise, em parte, no testemunho de outro membro da célula de Hamburgo, Mounir el-Motassadeq.

Uma das testemunhas que prestou depoimento no julgamento de Motassadeq foi um jordaniano chamado Shadi Abdullah, que confessou pertencer à Al-Qaeda e que foi preso na Alemanha. Em seu testemunho, e em interrogatórios conduzidos por policiais federais alemães, ele forneceu um novo retrato da estrutura da célula de Hamburgo – um retrato que enfatiza o papel de comando de Binalshibh. Os transcritos dos interrogatórios foram disponibilizados ao The New York Times.