Intelectuais defendem solução política para conflito na Colômbia

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2012 as 12:46, por: cdb

Dezenas de intelectuais de renome divulgaram uma carta, intitulada “Pela solução política ao conflito colombiana”, na qual convocam o governo da Colômbia “e, por extensão, o dos Estados unidos”, a aceitarem a proposta da insurgência em prol de uma saída negociada à situação do país.

O texto é assinado por escritores, jornalistas, sociólogos, teólogos, filósofos e historiadores. Os prêmios Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel (Argentina) e Martín Almada (Paraguai), e o vice-presidente do Conselho Assessor do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Jean Ziegler (Suiça), estão entre os primeiros nomes da lista de apoiadores.

No documento, eles destacam que a guerrilha é consequência e não causa de uma guerra que tem raízes econômicas, sociais e políticas. “Há 30 anos a insurgência tem insistido em uma saída política negociada ao conflito”, dizem os intelectuais. Mas os governos têm usado pretextos para não avançarem na busca da paz, e o uso da força tem bloqueado as negociações, afirmam.

O texto destaca a responsabilidade dos Estados Unidos no recudescimento do conflito, uma vez que os norte-americanos pretenderam “converter essa nação em uma base militar continental, com a finalidade de conter os projetos democráticos que se desenvolvem na América Latina”. Veja abaixo a íntegra, com a assinatura de alguns dos apoiadores.

Pela solução política ao conflito colombiano

“Colômbia é um país onde rios de ouro se misturam com rios de sangue”.
Eduardo Galeano.
O conflito interno na Colômbia leva quase seis décadas e tem se convertido em um dos mais antigos do mundo, junto ao da Palestina e de Caxemira.

Nesse confronto, a população civil tem sido a principal vítima. Segundo as cifras divulgadas pelas organizações de direitos humanos nacionais e internacionais são mais de 60 mil os detidos-desaparecidos; oito mil presos políticos; centenas de fossas comuns; cinco milhões de camponeses, indígenas e afrodescendentes violentamente desalojados de suas terras nos últimos dez anos, e milhares de assassinatos políticos a cada ano.

Instâncias internacionais, como a ONU, assinalam que o Estado, juntamente com grupos paramilitares, é o máximo responsável por tal violência. A insurgência, representada nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), apesar de que em uma mínima proporção, também têm sua parcela de responsabilidade.

Ao analisar a história política do país, pode-se afirmar que a guerrilha é consequência e não causa de uma guerra que tem raízes econômicas, políticas e sociais. Também se constata que há 30 anos a insurgência tem insistido em uma saída política negociada ao conflito. Nas tentativas de diálogo que já aconteceram, os sucessivos governos têm utilizado pretextos para romper e não avançar na busca de uma paz com dignidade.

O assassinato de comandantes das Farc e a perseguição, com o mesmo fim, dos membros do ELN está levando ao bloqueio das demandas de uma negociação.

Igualmente, somos testemunhas das grandes mobilizações realizadas por grandes setores do povo colombiano clamando e exigindo uma saída política que leve à paz com justiça social.

Nos últimos meses, o governo colombiano repete que o conflito somente concerne aos colombianos. Porém, é fácil comprovar, observando a geopolítica, que isso não é bem assim; pois, por múltiplas razões, já incumbe à região e ao continente.

Da mesma forma, ao repassar a história, constata-se que os Estados Unidos têm uma grande responsabilidade em seu recrudescimento, ao pretender converter essa nação em uma base militar continental, com a finalidade de conter os projetos democráticos que se desenvolvem na América Latina. Enquanto que instâncias regionais, como a União das nações Sul-americanas (Unasul), tem proclamado a região como um território de paz.

Pelo anterior, chamamos o governo da Colômbia e, por extensão, ao dos Estados unidos, a que escutem o povo colombiano e aceitem a proposta da insurgência para buscar uma solução política negociada ao conflito.

Convencidos estamos de que a saída é política e não militar.

Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, Argentina.
Jean Ziegler, vice-presidente do Conselho Assessor do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Suíça.
Piedad Córdoba, porta voz de “Colombianas y Colombianos por la Paz”, Colômbia.
Martín Almada, Prêmio Nobel Alternativo da Paz, Paraguai.
Hernando Calvo Ospina, periodista, Colômbia/ Francia.
Gilberto López y Rivas, Catedrático, México.
Hugo Moldiz Mercado, Periodista, Bolívia.
Paul-Emile Dupret, assessor Parlamento Europeo, GUE/NGL, Bélgica.
Alfonso Sastre, escritor, Espanha.
Roberto Fernández Retamar, escritor, Cuba.
Santiago Alba, jornalista, Espanha/Tunez.
James Petras, sociólogo, Estados Unidos.
Ramón Chao, jornalista, Espanha/Francia.
François Houtart, teólogo, Bélgica.
Pascual Serrano, periodista, Espanha.
Aram Aharonian, jornalista, Uruguai/Venezuela.
Carlos Fazio, jornalista, México.
Fernando Buen Abad Domínguez, filósofo, México.
Carlos Padrón, ator, Cuba.
Manuel Cabieses Donoso, jornalista, Chile.
Carmen Bohórquez, Historiadora, Venezuela.
Stella Calloni, jornalista, Argentina.
Belén Gopegui, escritora, Espanha.
Alejandro Dausá, sacerdote, Argentina.
Constantino Bértolo, editor, Espanha.
David Acera, ator, Espanha.
Mario Casasús, jornalista, México.
Paul Fortis, escritor, El Salvador.
Ricardo Bajo, jornalista, Bolívia.
Carlos Aznárez, jornalista, Argentina.
Jorge Capelán, jornalista, Nicarágua.
Miguel Álvarez Gándara, Serapaz, México.
Sara Rosenberg, escritora, Argentina/Espanha.
Martín Guédez, historiador y escritor, Caracas/Venezuela Com Adital

 

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