Inglaterra quer controlar trabalho de tatuadores e piercers

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Publicado quinta-feira, 31 de outubro de 2002 as 22:04, por: cdb

Não é só a dor que assusta quem quer ter um piercing. Na hora de colocar um daqueles brincos que enfeitam sombrancelhas, línguas, narizes, e até mesmo lugares mais íntimos, o mau preparo do piercers, o profissional que faz o furo, pode ser o maior dos problemas.

Para diminuir a ocorrência de problemas durante e depois da realização do furo, o Instituto de Saúde Ambiental britânico, que já controla a atividade de tatuadores, quer agora estabelecer um regulamento para atividade dos piercers.

“Nós queremos que todas as pessoas que atuam como piercers sejam treinadas para realizar os furos de forma higiênica, esterilizando sempre os equipamentos e mantendo o estúdio limpo e adequado”, afirma um dos membros do instituto, Mike Gaton.

Segundo Gaton, os problemas mais comuns são inchaço, sangramento e infecção local. O umbigo é a região mais propícia a infeccionar.

Estúdio

O instituto propõe ainda que a idade mínima de 16 anos seja estabelecida para a realização de furos abaixo do pescoço, onde há maior risco de infecção.

No estúdio do piercer brasileiro Lito Santana, que fica no bairro moderninho de Camden Town, em Londres, todo o material é esterilizado. Mas Santana contou que não são todos os piercers que têm o mesmo cuidado.

“Existe o estúdio e a loja. A loja é onde você faz o piercing rapidamente, sem receber assistência. A pessoa que faz o furo só está interessada em pegar o seu dinheiro e terminar logo o trabalho”, conta Santana.

Várias destas lojas de piercing estão localizadas exatamente no bairro de Camden Town. Além de oferecer riscos para quem está prestes a enfrentar a agulha, o mau profissional é uma ameaça também aos que virão depois.

“Essas pessoas limpam tudo rápido, sem saber como, e acham que só passar um pano com sabão vai esterelizar e acabar com bacterias e vírus que podem causar problemas para o próximo paciente”, diz Santana.

Responsabilidade

Mas quem vai receber o piercing também tem a sua parcela de responsabilidade.

A jornalista Thais Oliveira, que mora em Londres, tem seis piercings. Para ela, além de higiene, a prudência e honestidade são qualidades importantes.

– Se eu chegasse lá para fazer cinco piercings na cara, gostaria que o piercer me desse sua opinião sincera, se recusasse a fazer, disesse que ficaria agressivo -, diz Thais.

Para o DJ Frank Homa, que também mora em Londres e tem dois piercings, foi a limpeza que o fez escolher o estúdio.

– Eu cheguei a esse lugar por indicação de amigos. Todos no estúdio trabalhavam de uniforme e me transmitiram muita seriedade, então acabei fazendo todos os meus piercings lá -, afirma Honma.

Mas, como não são todas as pessoas que têm todo esse cuidado na hora de escolher o estúdio, o Instituto de Saúde Ambiental vai agora fazer lobby para que o governo britânico introduza a legislação para regulamentar o trabalho dos piercers.