Inglaterra calcula se ainda é vantajoso seguir na União Europeia

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Publicado sábado, 23 de maio de 2015 as 15:43, por: cdb
Economistas do Banco da Inglaterra avaliam se é vantajoso para o Reino Unido permanecer na União Europeia
Economistas do Banco da Inglaterra avaliam se é vantajoso para o Reino Unido permanecer na União Europeia

O Banco da Inglaterra planeja avaliar as implicações de uma possível saída britânica da União Europeia, disse em comunicado, confirmando um e-mail que enviou inadvertidamente a um jornal sobre o suposto projeto de pesquisa confidencial. O jornal britânico The Guardian noticiou, neste sábado, que um assessor de uma autoridade sênior do banco disse no e-mail que o projeto deveria ser mantido em segredo da maior parte da equipe do Banco da Inglaterra e afirmou que quaisquer jornalistas com perguntas sobre o tema deveriam ser informados de que o banco estava avaliando uma ampla variedade de assuntos econômicos europeus.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, reeleito em 7 de maio, prometeu dar nova forma aos laços da Grã-Bretanha com a União Europeia antes de realizar um referendo sobre sua participação no bloco até o fim de 2017. Em um comunicado na noite de sexta-feira, o banco confirmou sua intenção de lançar a avaliação.

“Não deve ser uma surpresa de que o banco está realizando tal trabalho sobre uma política apresentada pelo governo”, disse em publicação em seu site. “Há uma variedade de assuntos econômicos e financeiros que emergem no contexto da renegociação e do referendo nacional. É uma das responsabilidades do banco avaliar as que se relacionam a seus objetivos”, acrescentou, em nota.

Em Sintra, interior de Portugal, para uma platéia lotada, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que “divergências estruturais entre países da zona do euro podem se tornar explosivas e até ameaçar o futuro da moeda”.

– Em uma união monetária você não pode ter grandes e crescentes divergências estruturais entre países, porque elas tendem a se tornar explosivas. Portanto, as divergências irão ameaçar a existência da união, da união monetária – disse Draghi em uma audiência com acadêmicos e dirigentes de bancos centrais.

Crise grega

Em outro ponto de atrito na União Europeia, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, disse neste sábado que seu governo está na reta final das negociações com credores internacionais sobre um acordo que não envolveria novos cortes de aposentadorias e medidas duras de austeridade.

– Estamos na reta final de um período doloroso moldado pelas negociações do governo com as instituições – disse Tsipras, de volta de uma cúpula de líderes da União Europeia em Riga, ao comitê central de seu partido.

Ele disse que a maioria dos gregos apoia o governo nas suas negociações com o Fundo Monetário Internacional e parceiros da zona do euro, solicitando uma solução e não apenas um acordo.

Dizendo que não iria ceder a exigências irracionais, incluindo taxas de determinados tributos e uma maior liberalização do mercado de trabalho, ele pediu aos credores que mostrem abertura para um compromisso.

– Nós fizemos concessões, mas também temos limites – concluiu.